terça-feira, 20 de março de 2012

Fiat 500: pequeno, mas ordinário

Qual é a primeira coisa que vocês pensam quando pergunto quais seriam as vantagens de ter um Fiat 500?

Possivelmente irão responder:
- Design que impressiona;
- Fácil de estacionar;
- Ágil no trânsito de uma cidade cosmopolita;
- ECONÔMICO!

Eu como proprietário de um Fiat 500 1.4 Cult retirado da agência Ponto Veículos no dia 3 de janeiro de 2012 posso dizer se essas vantagens são realmente verdadeiras.

Realmente o design é um espetáculo a parte, recebo elogios sempre que paro para abastecer;
Estacionar é uma mamata, pequeninho ele cabe em vagas que normalmente carros maiores não caberiam;
O motor de 1400 cilindrados e os 88 cavalos dá agilidade ao carro nos momentos necessários, seu peso e a incapacidade de carregar muito peso faz com que o carro nunca decepcione numa subida íngreme.
Sobre ECONOMIA, agora sim começa meu texto! Se eu dissesse que meu carro faz menos de 8 quilômetros por litro com gasolina na estrada você acreditaria? Por essa razão eu tirei algumas fotos do painel do automóvel e quero provar. Em uma ocasião, quando ele tinha rodado 1924 quilômetros, estava fazendo em média 8,0 km/l, tempos depois quando estava com 4109 km/l ele PIOROU, começou a fazer 7,8 km/l.

                               Com 1924km e consumindo 8.0km/l com gasolina


    Com 4109km e consumindo 7.8 km/l com gasolina

Vocês podem questionar sobre a qualidade do combustível. Eu só abasteço em postos confiáveis e colocava gasolina aditivada, de melhor qualidade. Você podem então dizer que o problema é a pecinha atrás do volante. Contudo, meu pai que dirige há 25 anos já pegou meu carro diversas vezes e nenhuma alteração na consumação. Vivo com ar condicionado ligado? Raramente ligo, basicamente ando de vidro aberto, porque sem ar ligado ele faz 8 km/l imagine com o ar ligado...

Levei meu carro à concessionária que comprei, ele passou pelo piloto de testes da Fiat, foram feitos os testes necessários e nada de anormal foi encontrado. A sugestão que me deram: volte quando seu carro estiver com 5.500 kms rodados, assim ele amacia o motor. EM PLENO ANO DE 2012 AINDA SE FALA EM AMACIAR MOTOR? Só mesmo a Fiat.

A questão é, estou há dois meses e meio com um Fiat 500 que está gastando um litro de gasolina que custa R$2,60 para rodar 8 quilômetros. Sabe quantos quilômetros faz em média uma Hilux 4x4? Mais de 10 km/l. Sabe quantos faz uma SUV Subaru Forester com o DOBRO de cavalos do Cinquecento? 11km/l! ONZE!   

O principal motivo de eu ter comprado um Fiat 500 não foi o design ou a facilidade de trafegar na cidade e estacionar, mas sim por terem me prometido que era econômico. Eu trabalho em outra cidade, ando em média por mês 1500kms, pego rodovia todos os dias e por esse motivo queria um carro que gastasse pouco. O Fiat 500 foi uma das maiores decepções da minha vida! Paguei caro e o prejuízo que levo toda vez que paro em um posto de gasolina é maior ainda.

A Fiat não me dá suporte nenhum, pelo contrário, eu procuro ajuda e eles lavam as mãos. Como se o fabricante não fossem eles.
Lembro bem quando o vendedor me prometeu que o carro faria 16km/l na estrada, quem sabe até 18, meus olhos brilharam e eu decidi desistir do Chevrolet Agile. Na cidade a promessa era pelo menos 12km/l. Nunca que meu carro chegou perto dos 12km/l nem mesmo na estrada!

Vejam esta pesquisa do Inmetro feito para o Programa Brasileiro de Etiquetagem. Testes feito em um Fiat 500 idêntico ao meu mostraram que com gasolina ele faz 11km/l na cidade e 12,8km/l na estrada. A média que eu faço é 8... Duas coisas a dizer: obviamente meu carro tem algo errado e a Fiat não quer se responsabilizar pelo problema. Outra coisa, o vendedor me vendeu prometendo que na estrada faria 16km/l... Ou seja, me iludiu, mentiu, me passou para trás. Estou vendo maneiras de processar a Fiat montadora e a Fiat Ponto por essa situação lamentável que estou passando.

Fica aqui a dica para você que deseja adquirir um Fiat 500. A não ser que você seja dono de posto de gasolina, eu não recomendo comprar esse veículo!

Caso desejem falar comigo sobre o carro meu email é leandruuu@uol.com.br Estou colocando à venda, mas ao contrário da Fiat eu não vou mentir, direi a verdade. O consumo médio do meu carro é 8 por litro e não 16 por litro. Donos de postos de combustíveis Interessados? Falem comigo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A história do Fiat 500 sem tapete

Há um mês eu retirei um Fiat 500 cult 1.4 na Ponto Veículos São Miguel. Quem me atendeu foi o vendedor Marcos.
Para minha surpresa ao receber o automóvel ele veio sem tapete. Eu fiquei chocado. Quem que compra um carro premium e imagina que seu veículo virá sem tapete? Nunca passei por constrangimento parecido com outra montadora. Por ora, este é meu primeiro Fiat.

Durante a negociação da compra do veículo e após negócio fechado nunca comentaram comigo que não viria com tapete. Repito, foi total surpresa. Acontece que faz um mês que tenho o carro e até hoje não tenho tapete.

Estávamos no mês de janeiro, mês que mais chove no estado de São Paulo e meu carro anda com PAPEL JORNAL NO ASSOALHO. Vejam que ridículo, eu tenho um Fiat Cinquecento, um carro premiado internacionalmente pelo seu design, que por dentro é um lixão, POIS É FORRADO COM PAPEL JORNAL. As circunstâncias me deram duas escolhas: sujar o assoalho de lama ou forrar de papel jornal?

Daí vocês poderiam pensar "Senhor Leandro, se você teve dinheiro para comprar um carro que custa pelo menos 40 mil reais, e nós somos uma montadora que não pensamos no cliente, por que você não comprou também um tapete?". Eu tentei! Próximo do meu trabalho tem uma concessionária chamada Sinal Alphaville, liguei lá para pedir informação sobre o tapete e eles me trataram tão mal que por um momento pensei que invés de ter pedido para COMPRAR um acessório, eu estava mendigando. Vejam só o péssimo atendimento sendo realizado em duas concessionárias distintas. Eu sou uma pessoa educada e por isso mesmo toda vez que sou mal atendido por um prestador de serviços eu me sinto agredido. Meu sentimento pela Fiat: fui agredido por vocês duas vezes.

Voltei na minha concessionária, a Ponto, e encomendei por telefone. Quando fui buscar na agência, que fica a 60km do meu trabalho, o tapete encomendado havia SUMIDO. Imagine, eu saí mais cedo do trabalho apenas para comprar um tapete e não ter mais jornal em meu veículo, chego à agência  e eles não faziam ideia de onde estava o tapete encomendado.

Fui insistente e paguei o tapete, mesmo sem tê-lo, conversei com o gerente da loja, ele me prometeu que entregariam em casa no dia seguinte. Sabe que dia eu comprei e paguei o tapete? Dia 24 de JANEIRO. Hoje é dia 2 de fevereiro e nada do meu tapete. Ligo todos os dias na agência querendo saber do tapete que eu COMPREI e PAGUEI. Toda vez que eu falo com o Diego, pessoa de acessórios, ele fala "Nossa, não entregaram????". O que aconteceu com meu tapete? Foi roubado? Extraviado? Querem me vencer pelo cansaço?

Falo com o gerente da loja, por telefone, e ele diz que nunca conversou comigo e que não prometeu nada. ELE SE FAZ DE SONSO!!!!!! A recomendação dele: que eu falte do meu trabalho para ir buscar o tapete que não veio no meu carro e que eu comprei por fora e que prometeram me entregar em casa e nunca me entregaram. Isto é sensato para vocês?

Peço que a Fiat providencie o quanto antes um jogo de tapete do Fiat 500 ou então que me dê uma assinatura de jornal. Porque do jeito que está, não dá mais.


domingo, 17 de abril de 2011

A negação do príncipe encantado


Ao ligar para meu perfilado para marcar uma entrevista, deixei com ele a missão de escolher um local onde ele se sentiria à vontade para abrir os baús de sua intimidade. Ele pensou em uma padaria famosa de seu bairro. Lá poderíamos, entre cafés, sucos e bolos, conversar sobre teatro, carreira e sucesso.

Chegando ao local, notamos que não era a melhor opção. A noite estava incrivelmente agradável, os paulistanos amargavam em sucessivas noites chuvosas, aquela era a primeira noite seca há dias, espontaneamente todo mundo aproveitou aquela sexta-feira para sair e se divertir.  Era horário do jantar, a padaria estava lotada, o cheiro de comida era inebriante e as conversas eram audíveis. Decidimos ir ao apartamento dele. Com sossego a conversa se desenvolveria melhor.

Pelo caminho, um senhor de cabeça branca parou o meu entrevistado, cumprimentou-o e perguntou se a instalação estava funcionando na mais perfeita harmonia. Esse homem fez um trabalho de manutenção no apartamento que eu estava a caminho. Em uma disputa sem vencedores de quem dos dois era o mais sociável e simpático, o senhor prolongou a conversa, deixando-me a espera ao som de uma música agitada enquanto acontecia a aula de spinning na academia onde estávamos parados em frente.

O senhor quase levou um susto quando meu amigo, Marcelo Callegaro, disse ser ator. Imediatamente fez uma pergunta muito comum para os ouvidos de Marcelo: “Por que você não faz novela na Globo?”. Meu perfilado ri, com certeza ele dá o mesmo riso todas as dezenas ou centenas de vezes em que ele ouviu isso durante a vida, esse sorriso nada mais é que uma tática para ganhar tempo e decidir se responde o que realmente sente ou se prefere dar uma resposta definitiva impassível a objeções.
Antes que ele decidisse, o senhor parece ter tido uma “brilhante ideia”  e decidiu compartilhar. “Você deveria ir ao Faustão, tentar ser ator lá. Conseguir alguma coisa na Globo! Ou então vá ao Raul Gil, você vai conseguir.” Marcelo fica desconcertado com tamanha ingenuidade. “Pensando bem, você deveria entrar para o elenco de Malhação!”. Marcelo desta vez ri copiosamente. Ele tem 31 anos, poderia ser um galã, mas de novela adolescente não seria exatamente o caso, a não ser que ele fosse o professor sexy por quem todas as menininhas alimentam um amor platônico. Um personagem que, de certo modo, ele já desempenha na vida real.

Já sem  a presença do quase empresário ou guru do ator, eu e Marcelo continuamos caminhando rumo ao apartamento e dando prosseguimento à conversa iniciada pelo homem da manutenção. Marcelo tem 14 anos de profissão e nunca pensou em trabalhar em televisão, não foi uma opção muito clara , ou tampouco óbvia. Ele realmente não sabia me responder se poderia ser considerado um perdedor por justamente não querer ser ator de novela e fugir da maré da obviedade.  Na opinião de Callegaro, ator ou artista é considerado como tal pela sociedade brasileira apenas quando está na Tv, preferencialmente na rede Globo. Ainda seguindo sua linha de raciocínio, os brasileiros não sabem distinguir um famoso de um artista. O primeiro faz tudo pela fama e o segundo tudo pela ideologia, pela palavra. Ser famoso já virou uma profissão e Marcelo optou por ser artista.

Marcelo Callegaro não é famoso e nem o ator mais reconhecido no meio artístico, parte desse quase ostracismo é por opção. Tv nunca fez seus olhos brilharem e participar de festas da comunidade artística para fazer networking não faz parte de sua conduta. Talvez por isso, ele seja uma pessoa acessível, adora participar de trabalho de audiovisual de universitários e não raramente dá uma verdadeira aula para essa garotada que o procura para atuar, porém não têm nenhuma noção de direção de atores e, quando sabem dirigir um filme, o fazem de maneira amadora.

Marcelo tem a intenção de futuramente ser diretor de atores, cuidar da arte da interpretação. No Brasil, a pessoa mais reconhecida nessa área é Fátima de Toledo, diretora de atores de filmes como Tropa de Elite, Central do Brasil e Cidade de Deus. Marcelo não passou pelas mãos de Fátima, por isso ele não sabe julgar o processo criativo dela, porém defende a seguinte tese: “Ator tem que ter técnica, não precisa sofrer.”. Fátima é diferente, busca no âmago do ator toda a interpretação, por isso é muito comum, nos finais das cenas, o ator estar chorando descontroladamente, ou, se for uma cena de luta, ele sair com um braço quebrado. Para Marcelo, buscar a verdade em cena é o maior desafio do ator. “Eu, Marcelo, me apaixono em cena”. A diferenciação entre o ator e o personagem durante as cenas é quase impossível, Callegaro se envolve tanto na cena, que fica até desconectado da sua realidade, por isso mesmo ele odeia que alguém entre em seu camarim ao fim do espetáculo, por não ter um botãozinho que o desliga automaticamente do personagem quando sai de cena.  

O primeiro personagem profissional do Marcelo Callegaro no teatro foi a raposa da peça O Patinho Feio. Ele tinha acabado de entrar no grupo teatral Sotaque da cidade de Campinas, sua terra natal. Marcelo ensaiava para outra peça quando o ator que fazia a raposa teve um problema e precisou se afastar faltando apenas dois dias da estreia. Com isso, apareceu o convite de ele fazer o personagem. Com apenas dois dias de ensaio, usando um figurino pequeno que apertava seus pés e não o deixava enxergar perfeitamente, Marcelo foi indicado naquele ano para a categoria de melhor ator coadjuvante do festival em que a peça participava. Isso nunca mais aconteceu, mesmo nas vezes em que se preparou melhor.

Seu tipo de personagem predileto são os ardilosos, como a raposa do O Patinho Feio. Contudo, Marcelo sempre é escalado para fazer mocinhos e príncipes.  Os príncipes encantados, personagens chatos para Callegaro, sempre o perseguiram em sua carreira. Apesar de tudo, ele admite ter potencial para ser príncipe, desde que sejam os multifacetados, pois para ele não existem pessoas exclusivamente boazinhas, bonitinhas ou coisa parecida, como é a imagem banalizada de um príncipe. Os personagens, assim como as pessoas, são um emaranhado de sentimentos, personalidades e condutas. Outro mito infantil desconstruído por Marcelo é a Cinderela, que ele considera uma bobona, isso porque ela tem medo e vergonha do que é, medo da sua essência, ela foge da festa exatamente porque, em minutos, voltaria a ser quem realmente é. Fica clara a indignação de Marcelo por tal história servir de exemplo para as crianças.

Ser escalado como príncipe acaba sendo perfeitamente entendível quando se conhece Marcelo Callegaro. Ele é bonito, alto, inteligente, sedutor, confiante e interessante. Tem todos os ingredientes para ser um príncipe da vida real. Sua beleza certamente abriu muitas portas e ele sabe aproveitar disso sem se tornar um canastrão.

Desde criança, ele sempre foi uma espécie de exemplo, aluno aplicado e o número 1 da sala, até conhecer o teatro, que derrubou todos os seus paradigmas da educação, como o eles mesmo costuma dizer. Marcelo fazia um curso técnico de eletrônica, na época o curso mais promissor, não sabendo exatamente porque o fazia, apenas tinha ciência que o odiava e mesmo assim era o melhor da turma. Aos 17 anos, teve que fazer uma escolha que mudaria sua vida, tirar sua carteira de motorista ou, com o dinheiro, fazer o primeiro curso de teatro. Não que seu pai o tivesse lhe dado essa opção. Na verdade ele ganharia apenas a carta de motorista, mas optou pelo curso. A habilitação só viria aos 19 anos.

 A expressão “estudar para ser alguém na vida” tira Marcelo do sério, pois, na medida em que a pessoa nasce, ela já é alguém. De qualquer maneira, Marcelo estudou oito anos para ser o ator que é hoje, por isso mesmo faz questão de diferenciar famosos e artistas. Ele teve apoio de sua família para seguir a incerta carreira artística, só uma exigência partiu de seu pai: “brilhar no que fosse que escolhesse para sua vida”. Ser ator foi uma escolha lógica, Marcelo nunca pensou em outra hipótese, ele respira teatro desde criança.

Há três anos, Marcelo Callegaro faz parte do elenco da companhia de teatro XPTO, estreou no grupo com a peça O Público, de García Lorca. Antes de ingressar no grupo, Marcelo tinha dado um tempo para reconstruir sua vida após um investimento errado. Ele estava dando aula de inglês fazia dois anos e meio quando apareceu o teste. Para fazê-lo, escreveu uma carta de apresentação totalmente esquizofrênica, como ele mesmo diz, que poderia ser resumida a “um ovo de avestruz”. No dia do teste, todos queriam saber quem era o Marcelo Callegaro que comparou a existência, o teatro e aquela própria carta a um “ovão”. Foi fácil identificá-lo, Marcelo chegou no dia de seu teste com um ovo de avestruz de verdade. Unindo a audácia ao talento, foi rapidamente convidado a ingressar no grupo. Hoje Marcelo trabalha em um projeto itinerante de teatro de boneco e teatro de objetos. 

Marcelo conclui que hoje o teatro virou um ato de resistência. Resistir ao entretenimento, ao cinema, aos efeitos do tempo e da sociedade 3.0 de consumo. A função do teatro é fazer o homem pensar, é transcender, quase um ato ritualístico, é criar um movimento de transformação. Hoje o teatro tem um príncipe multifacetado como defensor.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

meu texto no editorial de um jornal

 Mês passado eu tive a honrosa surpresa de receber um e-mail do editor-chefe da Gazeta do Paraná, um jornal que circula em mais de 280 cidades paranaenses, em que me notificou que usaria meu texto no editorial do jornal.
Eu fiquei bastante feliz, pois afinal de contas ele encontrou meu texto em meu blog, sim este aqui mulambento que deixo de postar por períodos longos. O texto eu escrevi durante as eleições municipais de 2006 em que eu critiquei o horário eleitoral e a artificialidade dos debates políticos.
Abaixo vocês podem conferir o editorial do jornal e em itálico meu texto que foi usado na íntegra (ou se preferir, no final do post tem o texto como foi publicado no jornal, porém eu só consegui a imagem após a publicação deste post): 



Os debates

O blogueiro paulista Leandro Vitor, estudante de comunicação e que segundo consta no seu site trabalho com marketing em uma grande instituição financeira, ainda na campanha eleitoral de 2008 produziu um pequeno texto de grande valor. Jovem, Vitor não tem a experiência das “velhas raposas” da política, nem ainda é um “doutor” em comunicação e marketing. Porém, no texto que segue dá aulas de como o (e)leitor precisa ter uma consciência crítica e não “engolir” tudo o que lhe oferecem sem digerir antes.
E apesar do texto estar se referindo a campanha de 2008, parece ser um resgate de 2006, 2004 ou 2002, ou ainda, ter sido escrito para 2010 ou já projetar 2012. E, de fato, a não ser por alguns efeitos gráficos, nova posição para as luzes e arranjos diferenciado nos jingles, os programas eleitorais, nos dois primeiros dias de exibição, não trazem absolutamente nada de novo, como já analisado aqui ontem. Atente para o diz o estudante.
“Não sei se isso acontece apenas comigo, mas em todos os debates políticos televisivos eu rio deliberadamente. O cinismo em alguns casos é extremo. Se pergunta algo e responde o que bem entender, se acusa de algo e o político se faz de vítima. Os candidatos decoram números que seus assessores reuniram e soltam como se realmente tivessem conhecimento do que dizem, como se pudesse resumir política em números, muitas vezes, duvidosos.
Os eleitores devem priorizar esses debates na hora de escolher seu candidato e não as chamadas do horário político. Esse segundo é tudo feito por marqueiteiros especializados que criam jingles grudentos, mostram cenas de comoção e fazem todo um marketing em torno do candidato, fazem o eleitor acreditar que ele é demais e na verdade, nesses comerciais e programas partidários, ele é apenas um boneco, um modelo, que faz o que pedem.
Nos debates eles são altamente instruídos, decoram frases de impacto, mas na hora do ‘vamos ver’, em alguns momentos a máscara cai e o candidato está ali nu, ele mesmo com suas idéias e, principalmente, argumentos. É exatamente nessas horas que eu rio, quando o candidato se mostra quem é.” E tinha (ou tem) ou não razão?


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Eu gostei bastante da introdução do jornalista e, como disse, fiquei honrado com a visibilidade. Porém, fiquei chateado por dois motivos com o jornal Gazeta do Paraná. Primeiro, eu NOTIFICADO que meu texto seria usado, em momento algum foi pedido. Tanto que recebi o e-mail em um dia à noite e no dia seguinte ele foi publicado. Meus textos aqui do blog eu permito usarem, desde que me dêem os créditos, como foi feito, mas é sempre mais educado pedirem.
Outra chateação minha foi o descaso. Eu pedi como retribuição apenas um print screen da página para eu guardar como recordação e postar aqui no meu blog. Foi publicado no dia 19/08 o meu texto e até hoje esperei por um retorno deles. Não fui atendido, achei uma atitude grosseira e antiética do jornal. Eu não confiaria à Gazeta do Paraná como minha fonte de informação, pois com predicados como estes, não deve ser lá um jornal de credibilidade. 




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Após o post acima eu recebi um comentário do Jornal do Paraná, um tweet no Twitter e um e-mail com o arquivo que reivindiquei no texto. Não irei mudar o que escrevi, porém vou completá-lo com o arquivo que vocês poderão ler na íntegra agora. ( clique na imagem e com a lupa dê um zoom, isso no próprio navegador, ou então entre neste link do meu Tumblr )

 

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O péssimo hábito de beber água engarrafada

Existe uma coisa que eu não consigo entender: o consumo voraz pelas garrafas de água mineral (quando não água torneiral disfarçada de mineral). Virou moda, agora a tendência é comprar água engarrafada, mesmo que seja para beber um gole. Eu vejo a água vinda da indústria como uma alternativa quando você está na rua e com sede, porém não vejo utilidade beber quando está em seu lar ou qualquer outro lugar onde haja à disposição água potável.



Nunca imaginei que aquele líquido insípido, inodoro e incolor, ou seja, a coisa mais sem graça do mundo, pudesse virar marca ou grife. Muitas delas cobram um valor que é de desacreditar. Por exemplo aqui no Brasil, a água San Pellegrino, vinda diretamente de alguma fonte italiana, do outro lado do Atlântico, com 750ml custa em média R$10,00. Qual é o sentindo de pagar esse valor por 750 mililitros de água? Pior, qual é o sentindo de um brasileiro, que tem o privilégio de morar em um país com a maior reserva de água doce do mundo, comprar uma água italiana engarrafada? Sério, não faz sentindo algum.


Hoje em dia é chique ter em sua geladeira garrafas de Perrier, Panna ou San Pellegrino (citando apenas os exemplos gringos, daqui a pouco chego aos nacionais) dividindo espaço com alimentos. E onde estão as garrafas de água gelada? Os paulistanos têm o privilégio de ter um dos melhores sistemas de tratamento de água do planeta e mesmo assim recorrem às águas de fontes européias. Seria por status? Não combina um jantar glamoroso com um lindo copo de água de um filtro ou é realmente necessário uma água Panna? Água não tem etiqueta! Água, no máximo, tem frescura.


Exemplo desse é a água da Danone chamada Bonafont. Ela se apresenta como se fosse melhor com as demais, praticamente como um componente medicinal. Bebendo-a é possível até mesmo se livrar do inchamento e retenção de líquidos. Felizmente tenho a dizer que qualquer água tem esse poder milagroso de auxiliar no combate da retenção de líquidos. E digo mais, qualquer água potável tem o poder de matar a sede e hidratar! Seja ela do filtro da sua casa ou de um riacho que corta a montanha Fuji.


Existe um objeto chamado squeeze, que todo mundo ganha e nunca é nosso objeto de desejo, serve justamente para armazenar água. Invés de você comprar garrafas e mais garrafas de água, encha sua squeeze com uma água do seu filtro que você confia e seja feliz. O meio ambiente e seu bolso vão agradecer imensamente! E de uma vez por todas, não é chique beber água de garrafa, independente da grife ou do valor que você pagou, chega até a ser feio.


Eu não falei nada sobre agressão ao meio ambiente que essa prática exerce, convido vocês a assistirem o documentário “A história da água engarrafada” (The Story of Bottled Water). Ele é curto, interessante e não é eco chato e nem doutrinador, permite que o expectador tire suas próprias conclusões.


The Story of Bottled Water (Português) from Guilherme Machado on Vimeo.

domingo, 27 de junho de 2010

Palavras encantadas

Rachel de Queiroz, uma das cearenses mais ilustres de todos os tempos, marcou seu nome na história da literatura e do jornalismo brasileiro. Vanguardista de nascença, Rachel foi um dos primeiros nomes femininos prestigiados da nossa literatura. Desde muito cedo ela criou contato íntimo com os livros, provando mais uma vez que eles são essenciais para o desenvolvimento de uma sociedade saudável.

Rachel começou de forma prematura sua vida de escritora e, por nossa sorte, não parou tão cedo, até 2003, ano da sua morte, ela serenamente escrevia. Dizia, certa vez, ao completar incríveis 90 anos, que não escrevia por prazer, mas sim porque precisava se sustentar. Até hoje não sabemos se foi uma piada desconcertante ou uma pretensiosa esnobação, já que ela nasceu com o dom de encantar e comover as pessoas por meio de seus textos. Queiroz serve de exemplo para essa moçada que sonha em seguir a vida como escritor, seu primeiro livro foi escrito quando ela tinha apenas 20 anos. O Quinze, título que ela deu ao livro escrito em 1930, foi baseado em percepções próprias. Ela e sua família viveram a seca do ano 15 daquele século e com essa experiência ela escreveu sua principal obra. 

O livro foi o trampolim de Rachel de Queiroz para a imortalidade, inicialmente teve mil exemplares de tiragem no Ceará, mas a crítica foi tão positiva que logo ele foi enviado para o Rio de Janeiro e São Paulo. O Quinze e sua autora ganharam o mundo, foi traduzido para o francês, inglês, alemão e japonês.

Rachel também foi um grande expoente da nossa imprensa. Além de escrever para importantes jornais, como o Correio da Manhã e o Diário da Tarde, ela por muitos anos foi cronista da revista O Cruzeiro, que marcou a história do jornalismo brasileiro. 

Na década de 50 ela começou a escrever para o teatro, de sua autoria foram encenadas peças que falavam de temas bem brasileiros. Não só suas peças, mas seus livros, crônicas e contos representavam o povo e o imaginário nacional com grande perfeição. Não por acaso algumas das suas obras foram adaptadas para o cinema e televisão, todas com grande sucesso.

Rachel de Queiroz conseguiu agradar todos os públicos, desde os mais humildes com sua narrativa de identificação, até os mais eruditos, com a qualidade irrepreensível dos seus textos. Até mesmo as crianças foram conquistadas pela Rachel que escreveu alguns livros para os pequeninos e todos com enorme aceitação.

Não só os adultos e as crianças foram conquistados pela Rachel, mas os imortais também! Em 1977 Rachel de Queiroz foi eleita uma imortal pela Academia Brasileira de Letras e passou a zelar pela literatura brasileira e pelo nosso português. Ocupando a cadeira número 5, que antes foi fundada por Raimundo Correia, e tornou-se a primeira mulher a entrar na ABL.
Foram inúmeras as contribuições de Rachel para a cultura brasileira, além de escrever para todas as camadas e idades, ela fez um importante trabalho de traduzir importantes obras para o nosso idioma, entre elas livros de Dostoiévski e Balzac.
Sabia também fascinar em conjunto, escreveu na companhia de outros monstros da literatura, como Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado e a sua irmã, Maria Luiza de Queiroz Salek, com quem escreveu sua própria autobiografia chamada Tantos Anos.

Certamente uma das suas grandes honras e servindo como ato comprobatório de sua importância, Rachel de Queiroz recebeu, entre tantos outros, um dos principais prêmios da literatura portuguesa, o Prêmio Camões e também o prêmio brasileiro Juca Pato, entregue pela União Brasileira de Escritores.
Sem dúvida Rachel de Queiroz foi uma das maiores escritoras que brotaram no Brasil. Leitora e escritora prematura, escreveu para adultos e crianças, colaborou com o jornalismo, traduziu obras de suma importância, continuou na ativa até os últimos anos da sua longa vida e se estivesse viva em 2010, ela completaria 100 anos de sabedoria. Rachel de Queiroz, um orgulho nacional, que hoje é nome de prêmio de programa de tevê, emocionou gerações com suas palavras encantadas.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

um motivo para não votar na Dilma


Eu sou petista, mas não um petista cego que vota na legenda sem ao menos considerar os demais candidatos. Petistas como eu são cada vez mais comuns, isto por conta do escândalo do Mensalão que fez muitos deixarem de assumir publicamente sua posição política. Eu mesmo não sou louco de dizer por aí que voto no PT, pois sei que serei repreendido por muitos e como nos últimos anos o PT não está mais na moda... Quero deixar bem claro que não tenho vergonha de votar no Partido dos Trabalhadores, apenas aprendi nesses anos que não adianto discutir com alguém que odeia o PT, porque independente do que eu disser, o ódio pelo partido não mudará. Não costumo desperdiçar saliva à toa.
Meu candidato natural para a sucessão presidencial ao Palácio do Planalto seria a Dilma Rousselff. Confesso que tenho grande simpatia por ela desde o início do governo Lula em que ela assumiu a pasta de Minas e Energia e fez um trabalho muito bom. Ela conquistou seu espaço no governo e tornou-se uma das principais cabeças nesses últimos 7 anos. Quando o nome dela começou a pipocar entre os principais presidenciáveis, eu fiquei bem feliz, pois acreditava nela. Aliás, nunca deixei de acreditar na competência dela.
Como atualmente existem três opções de voto, mas na verdade a terceira opção, que é a senadora Marina Silva, é praticamente objeto decorativo, já que na atual conjuntura do país, estamos divididos numa polaridade de partidos, como nos EUA que há republicanos e democratas, aqui temos o PT e o PSDB. Com minha maturidade política entendi que não se governa sozinho, tudo é feito por meio de alianças, ainda mais aqui no Brasil que adota o sistema de pluripartidarismo. E essas alianças são costuradas de maneira muitas vezes equivocadas, o eleitor precisa também ficar atento a essas alianças, porque não coloca no poder apenas o candidato eleito, mas toda sua trupe.
Quem pensa em votar na Dilma Rousselff já sabe quem será o possível vice dela? Eu respondo! Será um dos cabeças do PMDB, o deputado federal Michel Temer. Um grande verme da política nacional, onde você poderá encontrar um detalhamento maior sobre sua história no ótimo e essencial livro do Palmério Dória Honoráveis Bandidos , que por sua vez é leitura obrigatória para todo eleitor brasileiro.
Quando soube que o canalha do Temer seria o vice da Dilma eu repensei em meu voto, porém raciocinei “poxa é a Dilma, ela é ótima, ela vai compensar!” e continuei com meu voto secreto na Dilma e no PT.
Agora uma nova bomba. O PT que tem aliança política com o PMDB, de onde provém o Michel Temer, levou adiante essa aliança aos níveis estaduais.  Porém, não levou em consideração que as alianças nacionais nem sempre fazem sentido aos níveis locais. Um grande exemplo é o que está acontecendo no Maranhão.
O PT local e suas lideranças decidiram apoiar o candidato Flávio Dino do partido aliado PC do B ao governo estadual, porém como existe a aliança com o PMDB, o Diretório Nacional vai apoiar a candidata do PMDB, ninguém que Roseana SARNEY. Uma mulher sem caráter, filha de um dos políticos mais cara de pau do Brasil. É revoltante, porque não é apenas um apoio a uma pessoa que merece o desprezo, é passar por cima da história do partido e sujar todas suas conquistas. Novamente eu recomendo, leiam Honoráveis Bandidos.  Não faz o menor sentindo e fico aqui pensando que o PT perdeu sua identidade, não me vejo mais naquela sigla, não me vejo apoiando um maldito e deixando um companheiro de lado.
Não posso votar em um candidato desse partido depois que ele mostra fazer tudo pelo poder, até mesmo passar por cima da sua história. Fazer alianças, como eu disse, é necessário, mas se vender, isso eu não admito. Quem tem a mesma opinião que eu é o deputado maranhense Domingos Dutra, que protestou publicamente essa loucura do PT e iniciou uma greve de fome para chamar a atenção do Brasil e que o PT volte atrás.
Eu assisti o vídeo abaixo onde Domingos faz clamou para que o Diretório Nacional do PT reveja sua posição, é um depoimento inflamado, verdadeiro e triste. Até mesmo que odeia o PT ficará sentindo. O vídeo tem 10 minutos, peço que assista, ainda mais você que pretende votar na Dilma, é um momento de reflexão.
A minha dica é escolher seu candidato antes mesmo de começar as propagandas eleitorais, porque elas todas são grandes falácias, inclusive do PT, a verdade nunca está presente, apenas promessas e jingles; campanha política é para os leigos, quem entende de política escolhe seu candidato assim que começam as discussões sobre o assunto.

domingo, 23 de maio de 2010

Confusão no show de Yann Tiersen durante a Virada Cultural em Piracicaba

O que foi aquilo que aconteceu ontem em Piracicaba? Um dos maiores desrespeitos e humilhações que eu e centenas de pessoas passamos envolta do teatro municipal para assistir ao show do Yann Tiersen!
Estava no site, foi dito por e-mail e por telefone que iriam distribuir 20% dos ingressos às 10 da manhã, porém distribuíram muitos mais da metade. A fila para pegar o restante do ingresso, que em tese eram os 80% restantes começou a se formar 7 HORAS ANTES e entre essas pessoas estava eu que vim de outra cidade especialmente para assistir ao show. Deixaram acumular uma fila tão grande que encheriam 3 ou mais teatros como aquele e ninguém fez nada.
Engana-se que o show foi gratuito, o contribuinte paulista pagou caro por aquela zorra e foi desrespeitado ao limite.
A Secretária de Cultura não sabia quem era o Yann Tiersen? No mínimo pensaram que era um qualquer francês; eu o esperava vir ao Brasil há anos, havia na fila pessoas de Manaus!!!! E eles, assim como eu, não conseguiram assistir ao show.
Que grande porcaria essa virada cultural do interior, sem nada planejado, bem a cara do funcionalismo público paulista, isso que dá deixar nas mãos desses vagabundos a tarefa de fazer um evento desse porte, dá em merda!
Em Piracicaba a Virada Cultural foi uma porcaria, nem vi Virada, vi tumulto, gritos, choros e bêbados. Essa é a imagem que levo da cidade, lugar que se Deus quiser nunca mais colocarei meus pés novamente.
Preciso aqui citar alguns nomes, deixar registrado a incompetência desses seres despreparados que ficaram com a missão de fazer uma boa Virada Cultural, mas acabaram criando uma Zona "Acultural": Lívia Maria Paes, supervisora geral que deixou explícito que não supervisou porcaria nenhuma, porque não tem competência para isso, Gabi Gonçalves e Preta Ribeiro, que são totalmente despreparadas e irresponsáveis. Pessoas como essas não podem ter orçamento em mãos, quando têm fazem merda, prova disso Virada Paulista em Piracicaba!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

custo x benefício dos ovos de Páscoa

Por ser Páscoa eu quero compartilhar o motivo que me fez não comprar nenhum ovo de Páscoa.
Alguém percebeu o quanto ficou mais caro os preços desses ovos? Eu acho um absurdo o valor cobrado por alguns gramas de chocolate que nem é nobre. Ultimamente ando muito metidinho em relação a chocolates, comendo alguns feitos na Suiça, Alemanha e França e até mesmo os nacionais, das melhores chocolaterias tupiniquins. Confesso que tenho uma grande queda por Prestígio da Nestlé, mas isto é detalhe hehe
Daí vejo os valores dos ovos comuns e dá até desânimo, 300 gramas de chocolate por mais de 20 reais, simplesmente porque tem forma oval.
O site Coma Com os Olhos fez a tabela abaixo comparando gramas de ovos com a mesma quantidade dele original em barra, a diferença de valor é absurda. Sorry, vou deixar a magia da Páscoa chocólatra de lado e não comprarei nenhum ovo.

sábado, 20 de março de 2010

verdades sobre o ecoturismo


Falarei sobre ECOTURISMO.
Eu como um ex-profissional da área tenho uma afinidade e conhecimento de causa um pouco mais desenvolvido.
Antes acho justo e necessário desmitificar que não existe ecoturismo quer não agrida a natureza, o que existe é minimizar o máximo possível do impacto na natureza nesses passeios feitos junto à natureza. Prova disso que estou falando é o governo federal estar começando a proibir a visitação de diversas cavernas e grutas pelo Brasil à fora, é indiscutível que quem vai conhecer uma caverna tem afinidades com a natureza. (parece estranho o que eu disse, mas muuuuuita gente não tem afinidade com a natureza e vive isolada dela, mas enfim, são escolhas e gostos próprios).
Dito essa introdução do ecoturismo, eu vou elencar algumas características dessa modalidade de turismo e se você por acaso já fez ecoturismo, relembre se todas essas características ditas aqui fizeram parte do seu passeio, caso foram descumpridas, você apenas conheceu a natureza e deixou uma cicatriz nela:
- Ecoturismo é feito em pequena escala, caso seu grupo seja grande ou há outros vários grupos em um determinado local, pode ter certeza que estarão, mesmo contra vontade própria agredindo a natureza. As cavernas do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) tem um controle de grupos que podem visitar por dia cada caverna. Depois que esse número é atingido, nenhum outro grupo pode entrar no parque.
- A infraestrutura deve ser modesta. Ou seja, nada de resorts em área de proteção ambiental. Uma das grandes farsas de ecoturismo nacional são os hotéis de selva. É totalmente descabida a ideia de conforto de hotel 5 estrelas no meio da floresta Amazônica. Você vive sim em contato com a natureza, afinal de contas está fincado exatamente no meio dela, mas pode ter certeza que a natureza sofreu muito para ser construído esse oásis e sofre com o número de visitantes e funcionários que vivem e usufruem do luxo longe da civilização.
- Os visitantes têm uma mentalidade menos espoliativa e agressiva. Isto é, você não vai visitar uma ilha quase que deserta e levar contigo uma pedra de recordação. Porque imagine se todos os visitantes que forem lá tiverem a mesma atitude que você, em quanto tempo ainda haverá pedras nessa ilha? Certa vez eu fui na Ilha do Cardoso e uns adolescentes pegaram uma sacola de pedras de recordação, eu fiz todos devolverem, afinal de contas já inventaram a máquina fotográfica.
- Os moradores das comunidades locais são beneficiados pelo ecoturismo. Por isso se você faz essa modalidade de turismo e apenas grandes empresas que fazem todo o passeio, pode ter certeza que você estará promovendo a pobreza local. Não existe guia turístico melhor que o morador que nasceu e cresceu naquele lugar, não existe lembrança melhor do que o artesanato feito por aquelas pessoas e não existe comida melhor do que a culinária local.
- Passeio sem aprendizado é desfrute gratuito do local. Não adianta você ir em um lugar de preservação e não saber o porquê aquele lugar é preservado, quais tipos de vida existem no local e etc. Ir apenas para usufruir das qualidade naturais é predadorismo. Deve haver uma conscientização ecológica e uma educação ambiental, senão nada daquilo terá havido a pena.