quarta-feira, 2 de abril de 2014

O dia que tive Hepatite B por 80 longos minutos

Anualmente faço um check up geral, em 2013 fiz no próprio ambulatório da Natura e estava tudo ótimo comigo. Este ano usei minha velha tática de ligar para todos os consultórios dos arredores e marcar o melhor horário para mim. Marquei com tal de Dr. Roberto em frente ao Clube Pinheiros.

Ele me solicitou todos os exames possíveis e pedi também meu tipo sanguíneo, eu sempre peço e nunca memorizo. Fui ao HCor Diagnósticos na Cidade Jardim e semana passada, após o almoço, voltei para buscar. Eu sempre que faço esses exames fico no cagaço, não acho que eu esteja devendo, mas é um medo, assim como tenho medo de cobra, tenho medo de resultado de exame. Todas as vezes que faço meus exames até para a igreja eu vou rezar, não que eu seja católico, mas eu vou, porque vai que né... Desta vez não rezei, não fui à igreja, não lembrei do exame, tal era a minha total certeza que estava vendendo saúde. 

Eu obviamente não preciso de médicos para ler meus exames e dizer que estou saudável. Por isso eu nem marquei retorno com o Dr. Roberto. Abri meus exames no próprio HCor. Eram vários envelopes, o primeiro tudo ok, o segundo eu abro e a palavra POSITIVO pula em meus olhos. Meu coração deu uma pontada e só pensei “Ai meu Deus! É HIV?”. Bato os olhos novamente e leio O POSITIVO! Ufa, era apenas meu tipo sanguíneo (nunca mais o esquecerei depois desse susto!). Abro mais um envelope e o colesterol LDL, HDL, triglicérides e todos aqueles outros estavam muito bons. Abro mais um envelope (haja envelope, porra! Haja emoção, caralho!) vejo HIV não reagente, Hepatite C não reagente e Hepatite B deu reagente. Olhei de novo e não era erro de leitura, eu li aquilo mesmo. A pontada no coração voltou, dessa vez mais forte e acompanhada de suor e falta de forças nas pernas. Eu me arrastei até um balcão e pedi pelo amor de Deus por um médico que pudesse ler aquele exame para mim. Agora sim eu precisava de médicos instuídos para ler exames. Não havia um puto para me atender, simplesmente pediram que eu procurasse meu médico. Eu lá sabia o telefone do meu médico? Só lembrava que ficava na frente do Clube Pinheiros. Tinha uma amiga do trabalho me esperando no hall, eu estava pálido quando a encontrei, ela imediatamente perguntou o que aconteceu, pedi apenas que me tirasse dali e me levasse ao meu médico porque eu estava com Hepatite B. Ela tentou me acalmar “Você tem certeza que leu certo o exame? Relaxa não é o fim do mundo, todo mundo tem isso, talvez até eu tenha!”. Essa consolação não me ajudou em nada, há um ano a médica do ambulatório da Natura disse que meus exames estavam impressionantemente bons, como contraí essa doença? Namorei 2013 inteiro, ato sexual não poderia ser. 

Procurei o endereço do “meu” médico e simplesmente não achei, não conseguia digitar nada, minhas mãos tremiam. Decidi ir até o prédio mesmo assim e lá perguntaria na portaria. Estava chovendo forte e lá fui eu com um guarda-chuva pequeno enfrentar a tempestade dos céus e da minha vida. Chegando no consultório eu o encontrei trancado. Não acreditei, sentei numa cadeira e googlei “HEPATITE B TEM CURA?”. A resposta do primeiro resultado era não! Também li que se contrai em contato com sangue, sêmen, secreção vaginal ou saliva. Levando em consideração que eu estava em um relacionamento fechado e tenho pavor de sangue (meu ou alheio), concluí que eu contraí tomando caipirinha no canudinho de alguém!!! 

Saindo do “meu” médico pensei o que fazer da vida, precisava voltar para o escritório pegar minhas coisas. Eu já estava todo molhado, amuado e deprimido. Já até sentia meu fígado doer e todas as consequências que aquela doença causaria na minha vida e das pessoas que convivem comigo. Nisso 3 garotos, de uns 17 anos, atravessam a rua e passam correndo pelo meu lado. Aquilo me fez chorar, eu me lembrei de quando eu tinha 17 anos e tinha tanta vida e saúde. Peguei minhas coisas no escritório e decidi que precisava ir para um hospital, precisava falar com um médico. Enquanto isso liguei para uma amiga que trabalha com o Drauzio Varella, talvez ela tivesse informações privilegiadas ou palavras de sabedoria. Informações privilegiadas não encontrei de imediato, mas foi muito bom ter o apoio dela. 

Cheguei ao hospital 9 de Julho, fui direto para o pronto-socorro, sabendo que se eu chegasse com exames para serem lindos era possível não conseguir atendimento imediato, por isso eu já cheguei lá morrendo. Minha cara devia ser de moribundo, até mancando eu estava. Enquanto não era atendido pelo médico eu li e reli meus exames, queria encontrar brechas. Uma delas era: como eu estava doente se meu número de leucócitos estava estável? Outra brecha era que havia dois exames de Hepatite B, um total e outro com alguma expressão que não lembro agora. O primeiro deu NÃO REAGENTE e o segundo REAGENTE. Não queria me apegar em esperanças, eu sabia que estava doente. Dentre todas as pessoas esperando atendimento no pronto-socorro, visivelmente eu estava com a pior aparência. Tipo caso de internação. Logo fui atendido e o doutor “O que você está sentindo?”. Respondi que na verdade nada, mas tinha aberto meus exames e acabara de descobrir que tinha contraído uma Hepatite B. Peguei o exame, apontei e comecei a chorar. Ele leu com atenção e me perguntou “Você se vacinou contra a Hepatite B?”, respondi que não lembrava, lembro que me vacinei contra a Febre Amarela quando eu iria ao Amazonas. O médico com desprezo disse que meu exame dizia que eu fui vacinado contra a Hepatite B e estava imune à doença. Meu choro parou imediatamente, aquela foi a melhor notícia que ouvi na vida! Algo surreal aconteceu naquele consultório, eu não me contive e comecei a sambar na frente do médico mal encarado. Sambei, sambei, sambei. Tinha que comemorar. Fui embora com cara de quem ganha na Mega Sena, sorrindo e sambando. Notei olhares julgadores da sala de espera, mas nem dei bola, não é todo dia que se contraí uma Hepatite B, fica terrivelmente doente por 80 minutos e depois se cura desta maneira milagrosa. 

Minha alegria foi tanta que era 5 da tarde e invés de ir para casa ou maltratar meu fígado super saudável com uma cerveja, eu voltei para o trabalho, afinal de contas, estava mais saudável do que aqueles três moleques de 17 anos da Faria Lima. 

Depois desse susto minha vida ficou mais simples. Eu estava com um grande problema que não estava me deixando dormir direito há dias. Eu simplesmente desencanei e dois dias depois solucionei meu problemão. Estou com aquela sensação que nada é tão importante como a minha saúde. 

Quem já ouviu essa história da minha boca deu risada da minha cara, mas o desespero e o susto que passei não desejo a ninguém! Por isso, cuidem-se! A Tainah Medeiros, minha amiga que trabalha com o Drauzio, coincidentemente no dia seguinte foi cobrir um congresso sobre Hepatite. 

Ela publicou a matéria e fiquei impressionado sobre a atual situação dessa doença no mundo e no Brasil, além de alguns mitos e verdades muito bem explicados em um infográfico. Acho de utilidade pública ler esta matéria, se tiver 5 minutinhos, só clicar no link aqui.

sábado, 29 de março de 2014

Minha experiência no Erótika Fair

Esta semana começou a Erótika Fair em SP e baseada em minha experiência do ano passado eu vou te convencer a ir ou não nesta edição.

Para quem não sabe, ano passado eu e uma amiga abrimos um sex shop online, contudo, tivemos que dar um tempo por mim e por ela. No meu caso eu fui indiretamente ameaçado pela minha ex-chefe de ser demitido caso eu tivesse um projeto paralelo ao meu trabalho e a minha amiga estava mudando o foco da carreira dela de TI para Comercial. Como desde o início tínhamos combinado em privilegiar nossas carreiras ao sex shop, decidimos parar momentaneamente, mesmo tendo recebido propostas de investidores (uaaauuu) com valores BEM razoáveis! Exatamente por causa do sex shop a gente decidiu ir à feira. Por ser uma feira prioritariamente de business, nosso foco era conhecer novos produtos, negócios e trocar cartões. Querem uma dica para ganhar dinheiro? Invista no mercado erótico! Quer outra dica? Seja um importador e distribuidor de brinquedos eróticos, é um oceano quase azul! ;)

Como eu já esperava e ao contrário do que as matérias da Rede TV adoram mostrar, a Erótika Fair não tem gente pelada andando pelos corredores e nem suruba. É tipo a Bienal do Livro, mas invés de livros há pintos de borracha e bolinhas explosivas lubrificantes.

Eu e minha sócia conhecemos diversas pessoas e empresas nesse dia, comemos amendoins oferecidos pelos expositores, trocamos cartões e foi uma feira bem interessante sob o ponto de vista de negócio. Entretanto, a feira tem duas partes. Uma para profissionais da área ou consumidores de produtos eróticos e outro que é para público geral/diversificado/liberal/sexualizado com diversas opções de entretenimento, se assim posso falar. Inclusive a feira é separada! De um lado negócios e do outro entretenimento.

Concluído nosso objetivo inicial, propus a minha sócia conhecer a outra parte. Não estávamos na pegada de diversão. Eu há poucas semanas tinha terminado um namoro super conturbado por Whatsapp. Terminar um namoro por Whatsapp é tipo o fundo do poço e não poderia haver fim mais apropriado para aquela minha relação horrorosa. Minha amiga se encontrava ainda pior, ela estava tecnicamente viúva há uma semana. O ex-namorado dela havia morrido uma semana antes, no aniversário dela, dois dias depois que ela terminou a relação. Ele faleceu por uma doença grave que descobriu em um dia e morreu no outro, o término nada influenciou na morte. Para piorar ela só soube do falecimento do mesmo depois do enterro dele e para piorar ainda mais, ela desconfiava que estivesse grávida dele, porque não havia menstruado até então e para piorar (sim, tinha como!), a irmã dele, uma lésbica mais masculina que o José Mayer, que ainda por cima era cafetina, agenciava garotas de programa de luxo e tem como clientes diversas pessoas e casais famosos que se eu mencionasse aqui ninguém nunca acreditaria, mas são clientes dela, enfim, a ex-cunhada já tinha até se oferecido para ser pai da criança! Resumindo, a gente não estava em clima de entretenimento, mesmo assim fomos! A gente já estava lá mesmo...

Ao chegar encontramos um estúdio de tatuagem e para minha surpresa havia interessados se tatuando. Que tipo de gente vai numa feira erótica e volta com tatuagem nova para casa? Eu me pergunto isso até hoje! Depois uma cabine que tirava fotos na hora. Como era de graça, tiramos algumas fotos. Eu com chifres de viking (ou corno), ela com tetas de plástico gigantescas por fora da roupa e nós algemados um ao outro. Fizemos algumas caras safadinhas e ganhamos nossas fotos. Tão logo saímos fomos convidados, quase intimados pelo staff, a entrar no teatro do local e assistir aos shows.

Vimos um show de pole dance com alguma campeã brasileira, esse show mais parecia espetáculo circense e não ligado ao erotismo, de qualquer maneira eu gostei. Logo em seguida entrou no palco a Silvetty Montilla, uma drag queen famosa e muito engraçada que vire e mexe está na tevê. Em sua apresentação ela selecionou pessoas aleatórias da plateia e convidou para subirem ao palco e participarem de uma competição concorrendo a prêmios. Não pessoal, eu não subi, inclusive até me encolhi com medo de ser escolhido por ela. A Silvetty convidava, se a pessoa não aceitava, ela insistia com simpatia, se ainda assim não aceitava ela descia do palco para intimar com certa firmeza, bom se nesse caso a pessoa  ainda não aceitava, a Silvetty, que originalmente de fábrica é um negão de quase 1,90m, engrossa a voz e grita "você não vai subir nesse caralho, porra?". Depois dessa abordagem não houve um sequer que não subiu oprimido e amedrontado. Eu não me ofereci para subir por vários motivos: sou tímido, havia mais de 100 pessoas naquele teatro e conhecendo show da Silvetty (já fui a stand up comedy dela e show em festas) no mínimo eu pagaria o mico de dançar É o Tchan para mais de 100 pessoas sóbrias. Se você acha que isso pode ser a pior coisa que poderia acontecer em um palco, acredite, qualquer pessoa optaria dançar a discografia completa do Tchan invés de protagonizar o que aconteceu naquele palco e aqui vou relatar.

Como disse, a Silvetty selecionou pessoas aleatórias e formou casais no palco. A brincadeira era se passar por um casal verossímil e sedutor. Imagine a situação, você está no palco, forma um casal com um desconhecido e precisa dançar sensualmente para ele (e mais a plateia), apalpá-lo e tudo mais o que a drag queen pedir. Foi isso que aconteceu. Metade dos casais, obviamente, não tiveram a menor química e por isso foram eliminados. Porém, dois casais sobraram e eles queriam ganhar o tal prêmio a qualquer custo e toparam fazer de um tudo no palco, por exemplo, os homens ficaram apenas de cueca e tênis e as mulheres fizeram twerking nos desconhecidos. O ponto alto foi no “vale tudo”, uma performance sedutora. Resumindo uma das mulheres jogou o cara no chão e começou a cavalgar nele de cueca! (não houve contato sexual!!!). Perplexo, eu só pensava “essas pessoas não têm família? Não tem juízo?”. Eu não sou moralista, pelo contrário, sou defensor pela livre sexualidade do ser humano. Para mim pode fazer o quiser, desde que o casal, trio ou grupo envolvido deseje, mas, por favor, façam em quatro paredes, não precisa ser no palco com centenas de pessoas assistindo, filmando e fotografando. Sei lá, apenas minha opinião.

Enfim, esse casal ganhou! A moça desinibida estava crente que iria ganhar um anel da Silvetty que valia mais do que um apartamento em Pirituba. Mas, o prêmio final era ingressos para o Clube das Mulheres. Para finalizar o show deles, o cara que estava no palco namorava e a namorada vendo tudo da plateia. Quando a Silvetty descobriu isso tratou de chamar a namorada para o palco a fim de criar uma briga, um confronto físico, um barraco para lavar a alma. A namorada foi ao palco e para minha surpresa achou o show excitante e acabou beijando profundamente de língua a moça que cavalgou no namorado minutos antes. E o namorado o que fez? Sacou o celular do bolso e filmou o beijo das duas mulheres. Aos interessados, terá show da Silvetty Montilla no Erotika Fair todos os dias às 19h30.

Se você acha que tudo que relatei é pesado demais, não continue, daqui para frente a coisa só piora! Terminando o espetáculo da Silvetty começou o show do Clube das Mulheres. Eu já vi na tv diversas vezes, como já estava lá e era de graça, continuei na minha cadeira e presenciei uma das coisas mais horrorosas que vi na vida. O Clube das Mulheres é composto por senhores com a maior autoestima entre os seres humanos da Terra. Na década de 80, muito provavelmente eles eram homens malhados e bonitões, em 2013 eles ainda acreditam que o sejam! Imagine senhores na faixa dos 50 anos, ex-malhados e atualmente inchados, caracterizados de marinheiro, índio, cowboy e outros “fetiches”, rebolando da forma mais heterossexual possível e falando barbaridades ao microfone? É isso o show, a sensação é de tédio e vergonha alheia. Fomos embora daquele teatro durante o show do bombeiro que queria apagar o fogo da mulherada e ao sairmos nos deparamos com algumas filas!

Se há fila, logo pensei, estão distribuindo alguma coisa! Oba, eu quero. Primeiro analisei as 3 filas. A primeira e maior só havia homens e todos desacompanhados, exceto um que estava com uma mulher, a outra fila era composta apenas por casais e também era grande e a terceira fila, era uma mistura de tudo e era pequena. Apostei na segunda fila e ficamos eu e a minha sócia esperando o presente que ganharíamos. Logo descobri que na verdade ninguém ganhava presente algum.

Não se sabia o que havia depois da fila, porque em todas tinham uma porta escondendo o que acontecia por dentro da estrutura criada. A primeira fileira era oferecida por uma produtora pornô. Não entrei para saber o que essa produtora pornô oferecia, pelos comentários entendi que dentro daquela estrutura eram exibidos filmes pornôs do Canal Sexy Hot. A minha fila era mais demorada e tinha uma hostess na porta toda tatuada e com piercings. Entravam duas pessoas por vez, a grande maioria eram casais. As paredes desse local era uma espécie de plástico usado como divisória em alguns escritórios simples. O casal entrava e da fila se ouvia uma gritaria de desespero, socos e batidas nessa parede de plástico. Era um cenário que gerava ansiedade nas pessoas da fila. Minha mente brilhante logo pensou “deve ser tipo um Castelo dos Horrores do Playcenter, vai ter ator vestido de monstro, só isso explica a gritaria.”. Quando nos tornamos o segundo casal da fila a hostess perguntou para o casal da frente “Com emoção ou sem emoção?”. Eles pediram com emoção e foram jogados para o breu que era o outro lado da porta! A minha sócia logo falou para mim “Lê, por favor, sem emoção!”. Pouco depois a hostess “Com emoção ou sem emoção?”. Eu estava na chuva, eu queria mesmo era ficar ensopado! “Com emoção!” A minha amiga arregalou os olhos e antes que pudesse protestar, ela foi empurrada dentro da sala escura e quase caiu de boca no chão. Não havia monstros! Havia 5 mulheres cavalonas, tipo Panicat, todas só de calcinha e sutiã. A sala era escura, mas perfeitamente visível, não havia nada além de uma cadeira no centro e uma meia luz em cima dela. Ao entrarmos elas começaram a gritar, bater nas paredes e dizer que iam foder a gente! Eu fui arrastado para a cadeira e me sentaram nela, minha sócia também foi trazida e o estupro começou! Uma mulher colocou os peitos dela na minha orelha e passou as mãos por dentro da minha camisa, outra colocou a bunda literalmente na minha cara e ficou esfregando em mim gritando e gemendo como uma americana em filme pornô, uma terceira sentou no meu colo e começou a pular! As outras duas mulheres estavam cuidando da minha amiga, uma molestando os peitos dela e tentando tirar o vestido e a outra com a mão embaixo das pernas subindo para vocês bem sabem onde. Tudo isso aconteceu em menos de 8 segundos! Eu e minha sócia estávamos simplesmente paralisados! Foi quando a consciência voltou e começamos a interagir. A bunda que estava sendo esfregada no meu nariz recebeu um tapa meu! Algo em mim disse que não teria problema se eu desse um tapinha. Ela gritou e pediu mais, e recebeu mais, bom, enfim, essa putaria louca durou uns 30 segundos. Eu realmente me diverti, a minha amiga menos, porque ela tinha duas mãos e brigava com quatro mãos para não chegarem até a calcinha dela... Acabado nosso tempo saímos de lá com marcas de batom, eu no pescoço e ela nos peitos, eu todo vermelho e com o cinto quase desfivelado, ela trazendo o vestido para baixo novamente e com o cabelo tudo para cima. As meninas gritavam pedindo que a gente voltasse para visita-las mais tarde...

Acho que nossa aparência estava realmente engraçada, saímos pela mesma porta que entramos e o povo tudo apontado para nós. Nenhum outro casal tinha saído tão diferente de como entrou. Digamos que foi com MUITA emoção. Antes mesmo que a gente se recompusesse, entramos na terceira fila, eu tinha absoluta certeza que nada poderia ser tão intenso e emocionante como o que acabamos de viver. Engano meu... A fila era menor e logo chegou nossa vez. Mesmo cenário, porta escondendo um local escuro, uma cadeira no centro, meia luz no teto e 5 homens de sunga e cueca de couro, super marombados. O menorzinho ali deveria ter 1,80m e bem forte de academia. Mesma cena, eu arrastado e jogado na cadeira, dessa vez com razoável violência, e não havia peitos ou bunda na minha cara. Um cara sadomasoquista me pegou pelos cabelos, enquanto o outro me segurava, e gritava “Se deu mal alemão, vamu te fazer de putinha aqui igual na cadeia!”, antes que eu pudesse dizer que não estuprei ninguém, que eu era inocente, eu levei um tapa na cara, outra puxada de cabelo e mais tapa, depois ele esfregou minha cara no abdômen do outro algoz. Nunca apanhei tanto na vida, não teve Direitos Humanos naquele recinto. A coisa foi braba. Minha amiga, coitada, eu estava apanhando tanto que não vi o que se passava com ela, só sabia que era ele e mais 3 homens grandes. Quando bateram na porta dizendo que acabou o nosso tempo, sério, foi o maior alívio da minha vida. Um dos caras já estava pegando uma corda para me amarrar e no caso da minha amiga um dos caras já tinha abaixado a sunga. A gente saiu no pinote daquele lugar. Lembrando, ninguém havia perguntado se podia fazer isso ou aquilo. Eu fiquei todo o tempo mudo e a minha amiga gritava assustada AI MEU DEUS, AI MEU DEUS a cada segundo.

Depois desses dois episódios nós fomos embora da Erotika Fair? Na verdade não... Mortificados de medo a gente pegou mais uma fila que não tínhamos percebido e essa estava vazia. Desta vez a sala não era escura e não havia cadeira. Mas, uma das paredes tinha diversos buracos com a largura de um braço forte. Eu que não sou trouxa já sabia o que tinha lá dentro, mas minha sócia não. Eu avisei “cuidado com a cobra, ela pode te picar!”. Não deu outra, minha amiga encontrou uma cobrona, segundo ela. Levou a picada e aí sim, nós fomos embora da feira.

Isso e outras coisas vocês podem encontrar na Erótika Fair 2014! Quem for, me conta depois da experiência!


Ah sim, minha amiga não estava grávida do falecido. Foi alarme falso.


sexta-feira, 14 de junho de 2013

relato de um protestante pacífico


Ontem participei do protesto a favor de um transporte público, digno, acessível, de qualidade, e principalmente, pelo direito democrático de protestar! Faz alguns dias que por meio das redes sociais estou demonstrando apoio ao movimento e criticando a truculência do governo acerca do legítimo direito de protestar. Para mim não fazia sentido ficar gritando pelo Facebook e não fazer nada, além disso, precisava ir até o olho do furacão e ver o que é a realidade segundo meus olhos e não segundo a imprensa ou depoimentos de terceiros.

Chegando à concentração em frente ao Theatro Municipal confesso que estava assustado, era meu primeiro protesto e sabia que a PM iria pegar pesado. Estava tudo na maior paz. Muitas bandeiras, muitos cartazes, flores e jovens heroicos em brado retumbante.  Quando começou a passeata meu coração bateu mais forte, me benzi em silêncio e caminhamos em direção a av. Ipiranga.  Três maloqueiros estavam pixando lojas e logo foram repreendidos pela maioria, inclusive por mim. Ao chegarmos na Ipiranga eu tomei um susto, éramos muitos jovens heroicos, não tinha até então noção da quantidade de pessoas. E tudo pacífico, vez ou outra alguém subia onde não devia e um coro de “Desce, desce, desce” iniciava. As pessoas nos prédios eram convidadas a participarem e a quantidade de jovens heroicos só aumentava. Eu estava surpreso com a civilidade e a entrega de todos aqueles participantes. Realmente não fazia o menor sentido intitular aquelas pessoas de bugios vagabundos, como fizeram dois dias antes.

Ao chegamos à rua da Consolação,  bem perto do Mackenzie, bombas e tiros foram voltados para os manifestantes pacíficos. Foi uma truculência desmedida. Daí em seguida foi um show de horror, jovens heroicos correndo com flores e cartazes nas mãos de policiais com escudo, cassetete, bombas e armas.  Atravessamos a praça Roosevelt e caímos na Augusta. Lá eu percebi que estava fazendo a coisa certa. Dezenas de carros parados no meio da rua, impossibilitados de andar, com vários motoristas batendo palmas, alguns abrindo os vidros e incentivando, muitos moradores nas janelas aplaudindo e cantando. A população estava finalmente acordando. (óbvio que havia motoristas com cara amarrada e bravos com toda aquela “baderna do bem”). Nenhum carro ou pessoa, repito, nenhum carro ou pessoa foi agredido. A polícia fechou a Augusta e subimos pela Bela Cintra. Ninguém ali queria guerra com os policiais, queríamos apenas mostrar a força da sociedade consciente. Novamente Tropa de Choque, Cavalaria e mais bombas estavam sendo despejados nos jovens heroicos. Era mais de 8 da noite, eu resolvi que já tinha feito minha parte por um país melhor.

Fui embora sozinho. Voltei para a Augusta, fui cercado em frente ao Ibotirama pela Tropa de Choque, junto com outros civis e pouquíssimos manifestantes, eles apontaram arma para nós, uma senhora do meu lado chorava desesperadamente, a peguei pela mão e fugimos para a Frei Caneca. Para minha surpresa havia mais policiais atirando na rua também na Frei Caneca. Recapitulando, havia Trope de Choque e Cavalaria na Bela Cintra, havia Tropa de Choque apontando armas para as pessoas na Augusta ONDE NÃO ESTAVA ACONTECENDO A MANIFESTAÇÃO, apenas pessoas como eu indo para casa ou civis sem nenhuma relação com os manifestos e havia policiais na Frei Caneca. Subi então pela Peixoto Gomide, única rua que não havia policiais e mais alguns manifestantes que não estavam protestando. O que vi de errado: alguns deles estavam chutando os lixos, fazendo isso de forma isolada não é protesto, mas foi um ato tão pequeno comparando com tudo que tinha visto até então.

Cheguei até a Paulista e não entendi porque ela estava fechada se o movimento não havia chegado ali. Muitos policiais, gritaria de civis e de longe vi uma pessoa sendo chutada por policiais. Fiquei pensando o que ela sozinha poderia ter feito de tão grave para ser chutado por vários policiais. Alguém passou gritando do meu lado dizendo que a PM estava batendo em qualquer pessoa, independente se estava na manifestação. Agora entendi porque até a imprensa foi agredida e levaram bala da polícia. A violência policial estava tão desproporcional que acabou sobrando para qualquer pessoa que estivesse na rua.
 Segunda-feira, dia 17 de junho, caso o Governo não abra para negociações (como o Ministério Público já pediu e o Governo se negou), eu estarei novamente no meio desses jovens heroicos em brado retumbante conquistando com braço forte nossa liberdade de poder sonhar por um mundo melhor, mais justo, mais seguro e mais íntegro.

Assinado,

Um protestante pacífico

terça-feira, 11 de junho de 2013

A questão não são os 20 centavos

Cresci ouvindo que a minha geração é acomodada, que somos "revoltadinhos de apartamento" e "rebeldes sem causa", que protestamos apenas na frente da tela do computador e etc.

Agora uma parte mais politizada e esperta dessa mesma geração sai à rua para lutar pelos direitos de todos nós e são taxados de vagabundos, esquerdistas, bugios revoltados, bandidos...

O Brasil está precisando de uma mudança, alguém discorda disso? Aos que enchem a boca para chamar os manifestantes de bandidos e bugios revoltados, como vocês sugerem que nasça essa mudança? Deixa eu adivinhar! Das urnas? HAHAHAHAHAHA Nenhuma mudança significativa irá acontecer sem movimentos visíveis orquestrados e intencionados por jovens/cidadãos inconformados com a nossa realidade. Foi assim na Primavera Árabe, para ficar apenas no caso mais recente e sem entrar na história do Brasil, e será assim caso queiramos de fato uma mudança substancial.

A questão aqui não são apenas os 20 centavos, é tudo muito maior, essas pessoas estão lutando pelo direito de dignidade e para dar voz ao cidadão. Cidadão, esse personagem social, que há 20 anos se encontra mudo, quase morto. Ainda que os conservadores individualistas "que andam de SUV a caminho dos happy hours dos Jardins"* queiram calar os inconformados e assim fazer prevalecer esse conformismo que assola toda a sociedade de gados que apenas reclama do Governo dizendo “imagina na Copa”, eu dou todo o meu apoio às manifestações, tanto que quinta-feira haverá outra, no mesmo bat local e bat horário de hoje e pretendo estar lá. Porque quem reclama do trânsito, do lixo queimado ou da estação de metrô depredada gerados pelos protestos, imagino que concorda com a realidade ou tem um plano mais eficiente, silencioso e limpo de como mudar para melhor. Eu não me conformo com a realidade e não tenho um plano individual mais eficaz do que um grito em coro.

*trecho retirado do ótimo texto do André Borges Lopes chamado "Jovens vão às ruas e nos mostram que desaprendemos a sonhar".

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Desiderata


Na medida do possível, e sem se atraiçoar, tenha boas relações com todas as pessoas.
Diga a sua verdade quieta e claramente. Ouça os outros, mesmo os obtusos e ignorantes. Eles também têm uma estória a contar.

Evite as pessoas ruidosas e agressivas. Elas são tormentos para o espírito.

Se você se comparar aos outros, você se tornará ora vaidoso, ora amargo, pois há sempre pessoas que lhe são inferiores ou superiores.
Goze tanto as suas realizações quanto os seus sonhos. Mantenha-se interessado naquilo que você faz, por humilde que seja. Aquilo que você faz é algo que você realmente possui, num tempo em que tudo muda sem parar.

Pratique a prudência nos seus assuntos comerciais, pois o mundo está cheio de trapaças. Mas não deixe que isto o faça cego para as virtudes que existem. Muitas pessoas se esforçam por ideais altos. Por toda parte a vida está cheia de heroísmo.

Seja você mesmo. Não finja afeição. E nem seja cínico acerca do amor. A despeito da aridez e do desencanto, ele renasce tão teimosamente quanto a tiririca.
Aceite com elegância o conselho dos anos, deixando graciosamente para trás os prazeres da juventude. Crie força de espírito para proteger-se na desgraça repentina. Não se aflija, porém, com coisas imaginadas. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.

Tenha uma disciplina saudável, mas seja gentil para consigo mesmo. Você é um filho do universo, tanto quanto as árvores e as estrelas. Você tem o direito de estar aqui. E, quer você saiba disto ou não, o fato é que o universo caminha como deve. Por isto, esteja em paz com Deus, não importa como você pensa que ele é.

A despeito da barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a sua alma.
Com todos os seus enganos, labutas e sonhos não realizados, este continua a ser um belo mundo. Cuide-se. Esforce-se por ser feliz...


Texto de Max Ehrmann

terça-feira, 20 de março de 2012

Fiat 500: pequeno, mas ordinário

Qual é a primeira coisa que vocês pensam quando pergunto quais seriam as vantagens de ter um Fiat 500?

Possivelmente irão responder:
- Design que impressiona;
- Fácil de estacionar;
- Ágil no trânsito de uma cidade cosmopolita;
- ECONÔMICO!

Eu como proprietário de um Fiat 500 1.4 Cult retirado da agência Ponto Veículos no dia 3 de janeiro de 2012 posso dizer se essas vantagens são realmente verdadeiras.

Realmente o design é um espetáculo a parte, recebo elogios sempre que paro para abastecer;
Estacionar é uma mamata, pequeninho ele cabe em vagas que normalmente carros maiores não caberiam;
O motor de 1400 cilindrados e os 88 cavalos dá agilidade ao carro nos momentos necessários, seu peso e a incapacidade de carregar muito peso faz com que o carro nunca decepcione numa subida íngreme.
Sobre ECONOMIA, agora sim começa meu texto! Se eu dissesse que meu carro faz menos de 8 quilômetros por litro com gasolina na estrada você acreditaria? Por essa razão eu tirei algumas fotos do painel do automóvel e quero provar. Em uma ocasião, quando ele tinha rodado 1924 quilômetros, estava fazendo em média 8,0 km/l, tempos depois quando estava com 4109 km/l ele PIOROU, começou a fazer 7,8 km/l.

                               Com 1924km e consumindo 8.0km/l com gasolina


    Com 4109km e consumindo 7.8 km/l com gasolina

Vocês podem questionar sobre a qualidade do combustível. Eu só abasteço em postos confiáveis e colocava gasolina aditivada, de melhor qualidade. Você podem então dizer que o problema é a pecinha atrás do volante. Contudo, meu pai que dirige há 25 anos já pegou meu carro diversas vezes e nenhuma alteração na consumação. Vivo com ar condicionado ligado? Raramente ligo, basicamente ando de vidro aberto, porque sem ar ligado ele faz 8 km/l imagine com o ar ligado...

Levei meu carro à concessionária que comprei, ele passou pelo piloto de testes da Fiat, foram feitos os testes necessários e nada de anormal foi encontrado. A sugestão que me deram: volte quando seu carro estiver com 5.500 kms rodados, assim ele amacia o motor. EM PLENO ANO DE 2012 AINDA SE FALA EM AMACIAR MOTOR? Só mesmo a Fiat.

A questão é, estou há dois meses e meio com um Fiat 500 que está gastando um litro de gasolina que custa R$2,60 para rodar 8 quilômetros. Sabe quantos quilômetros faz em média uma Hilux 4x4? Mais de 10 km/l. Sabe quantos faz uma SUV Subaru Forester com o DOBRO de cavalos do Cinquecento? 11km/l! ONZE!   

O principal motivo de eu ter comprado um Fiat 500 não foi o design ou a facilidade de trafegar na cidade e estacionar, mas sim por terem me prometido que era econômico. Eu trabalho em outra cidade, ando em média por mês 1500kms, pego rodovia todos os dias e por esse motivo queria um carro que gastasse pouco. O Fiat 500 foi uma das maiores decepções da minha vida! Paguei caro e o prejuízo que levo toda vez que paro em um posto de gasolina é maior ainda.

A Fiat não me dá suporte nenhum, pelo contrário, eu procuro ajuda e eles lavam as mãos. Como se o fabricante não fossem eles.
Lembro bem quando o vendedor me prometeu que o carro faria 16km/l na estrada, quem sabe até 18, meus olhos brilharam e eu decidi desistir do Chevrolet Agile. Na cidade a promessa era pelo menos 12km/l. Nunca que meu carro chegou perto dos 12km/l nem mesmo na estrada!

Vejam esta pesquisa do Inmetro feito para o Programa Brasileiro de Etiquetagem. Testes feito em um Fiat 500 idêntico ao meu mostraram que com gasolina ele faz 11km/l na cidade e 12,8km/l na estrada. A média que eu faço é 8... Duas coisas a dizer: obviamente meu carro tem algo errado e a Fiat não quer se responsabilizar pelo problema. Outra coisa, o vendedor me vendeu prometendo que na estrada faria 16km/l... Ou seja, me iludiu, mentiu, me passou para trás. Estou vendo maneiras de processar a Fiat montadora e a Fiat Ponto por essa situação lamentável que estou passando.

Fica aqui a dica para você que deseja adquirir um Fiat 500. A não ser que você seja dono de posto de gasolina, eu não recomendo comprar esse veículo!

Caso desejem falar comigo sobre o carro meu email é leandruuu@uol.com.br Estou colocando à venda, mas ao contrário da Fiat eu não vou mentir, direi a verdade. O consumo médio do meu carro é 8 por litro e não 16 por litro. Donos de postos de combustíveis Interessados? Falem comigo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A história do Fiat 500 sem tapete

Há um mês eu retirei um Fiat 500 cult 1.4 na Ponto Veículos São Miguel. Quem me atendeu foi o vendedor Marcos.
Para minha surpresa ao receber o automóvel ele veio sem tapete. Eu fiquei chocado. Quem que compra um carro premium e imagina que seu veículo virá sem tapete? Nunca passei por constrangimento parecido com outra montadora. Por ora, este é meu primeiro Fiat.

Durante a negociação da compra do veículo e após negócio fechado nunca comentaram comigo que não viria com tapete. Repito, foi total surpresa. Acontece que faz um mês que tenho o carro e até hoje não tenho tapete.

Estávamos no mês de janeiro, mês que mais chove no estado de São Paulo e meu carro anda com PAPEL JORNAL NO ASSOALHO. Vejam que ridículo, eu tenho um Fiat Cinquecento, um carro premiado internacionalmente pelo seu design, que por dentro é um lixão, POIS É FORRADO COM PAPEL JORNAL. As circunstâncias me deram duas escolhas: sujar o assoalho de lama ou forrar de papel jornal?

Daí vocês poderiam pensar "Senhor Leandro, se você teve dinheiro para comprar um carro que custa pelo menos 40 mil reais, e nós somos uma montadora que não pensamos no cliente, por que você não comprou também um tapete?". Eu tentei! Próximo do meu trabalho tem uma concessionária chamada Sinal Alphaville, liguei lá para pedir informação sobre o tapete e eles me trataram tão mal que por um momento pensei que invés de ter pedido para COMPRAR um acessório, eu estava mendigando. Vejam só o péssimo atendimento sendo realizado em duas concessionárias distintas. Eu sou uma pessoa educada e por isso mesmo toda vez que sou mal atendido por um prestador de serviços eu me sinto agredido. Meu sentimento pela Fiat: fui agredido por vocês duas vezes.

Voltei na minha concessionária, a Ponto, e encomendei por telefone. Quando fui buscar na agência, que fica a 60km do meu trabalho, o tapete encomendado havia SUMIDO. Imagine, eu saí mais cedo do trabalho apenas para comprar um tapete e não ter mais jornal em meu veículo, chego à agência  e eles não faziam ideia de onde estava o tapete encomendado.

Fui insistente e paguei o tapete, mesmo sem tê-lo, conversei com o gerente da loja, ele me prometeu que entregariam em casa no dia seguinte. Sabe que dia eu comprei e paguei o tapete? Dia 24 de JANEIRO. Hoje é dia 2 de fevereiro e nada do meu tapete. Ligo todos os dias na agência querendo saber do tapete que eu COMPREI e PAGUEI. Toda vez que eu falo com o Diego, pessoa de acessórios, ele fala "Nossa, não entregaram????". O que aconteceu com meu tapete? Foi roubado? Extraviado? Querem me vencer pelo cansaço?

Falo com o gerente da loja, por telefone, e ele diz que nunca conversou comigo e que não prometeu nada. ELE SE FAZ DE SONSO!!!!!! A recomendação dele: que eu falte do meu trabalho para ir buscar o tapete que não veio no meu carro e que eu comprei por fora e que prometeram me entregar em casa e nunca me entregaram. Isto é sensato para vocês?

Peço que a Fiat providencie o quanto antes um jogo de tapete do Fiat 500 ou então que me dê uma assinatura de jornal. Porque do jeito que está, não dá mais.


domingo, 17 de abril de 2011

A negação do príncipe encantado


Ao ligar para meu perfilado para marcar uma entrevista, deixei com ele a missão de escolher um local onde ele se sentiria à vontade para abrir os baús de sua intimidade. Ele pensou em uma padaria famosa de seu bairro. Lá poderíamos, entre cafés, sucos e bolos, conversar sobre teatro, carreira e sucesso.

Chegando ao local, notamos que não era a melhor opção. A noite estava incrivelmente agradável, os paulistanos amargavam em sucessivas noites chuvosas, aquela era a primeira noite seca há dias, espontaneamente todo mundo aproveitou aquela sexta-feira para sair e se divertir.  Era horário do jantar, a padaria estava lotada, o cheiro de comida era inebriante e as conversas eram audíveis. Decidimos ir ao apartamento dele. Com sossego a conversa se desenvolveria melhor.

Pelo caminho, um senhor de cabeça branca parou o meu entrevistado, cumprimentou-o e perguntou se a instalação estava funcionando na mais perfeita harmonia. Esse homem fez um trabalho de manutenção no apartamento que eu estava a caminho. Em uma disputa sem vencedores de quem dos dois era o mais sociável e simpático, o senhor prolongou a conversa, deixando-me a espera ao som de uma música agitada enquanto acontecia a aula de spinning na academia onde estávamos parados em frente.

O senhor quase levou um susto quando meu amigo, Marcelo Callegaro, disse ser ator. Imediatamente fez uma pergunta muito comum para os ouvidos de Marcelo: “Por que você não faz novela na Globo?”. Meu perfilado ri, com certeza ele dá o mesmo riso todas as dezenas ou centenas de vezes em que ele ouviu isso durante a vida, esse sorriso nada mais é que uma tática para ganhar tempo e decidir se responde o que realmente sente ou se prefere dar uma resposta definitiva impassível a objeções.
Antes que ele decidisse, o senhor parece ter tido uma “brilhante ideia”  e decidiu compartilhar. “Você deveria ir ao Faustão, tentar ser ator lá. Conseguir alguma coisa na Globo! Ou então vá ao Raul Gil, você vai conseguir.” Marcelo fica desconcertado com tamanha ingenuidade. “Pensando bem, você deveria entrar para o elenco de Malhação!”. Marcelo desta vez ri copiosamente. Ele tem 31 anos, poderia ser um galã, mas de novela adolescente não seria exatamente o caso, a não ser que ele fosse o professor sexy por quem todas as menininhas alimentam um amor platônico. Um personagem que, de certo modo, ele já desempenha na vida real.

Já sem  a presença do quase empresário ou guru do ator, eu e Marcelo continuamos caminhando rumo ao apartamento e dando prosseguimento à conversa iniciada pelo homem da manutenção. Marcelo tem 14 anos de profissão e nunca pensou em trabalhar em televisão, não foi uma opção muito clara , ou tampouco óbvia. Ele realmente não sabia me responder se poderia ser considerado um perdedor por justamente não querer ser ator de novela e fugir da maré da obviedade.  Na opinião de Callegaro, ator ou artista é considerado como tal pela sociedade brasileira apenas quando está na Tv, preferencialmente na rede Globo. Ainda seguindo sua linha de raciocínio, os brasileiros não sabem distinguir um famoso de um artista. O primeiro faz tudo pela fama e o segundo tudo pela ideologia, pela palavra. Ser famoso já virou uma profissão e Marcelo optou por ser artista.

Marcelo Callegaro não é famoso e nem o ator mais reconhecido no meio artístico, parte desse quase ostracismo é por opção. Tv nunca fez seus olhos brilharem e participar de festas da comunidade artística para fazer networking não faz parte de sua conduta. Talvez por isso, ele seja uma pessoa acessível, adora participar de trabalho de audiovisual de universitários e não raramente dá uma verdadeira aula para essa garotada que o procura para atuar, porém não têm nenhuma noção de direção de atores e, quando sabem dirigir um filme, o fazem de maneira amadora.

Marcelo tem a intenção de futuramente ser diretor de atores, cuidar da arte da interpretação. No Brasil, a pessoa mais reconhecida nessa área é Fátima de Toledo, diretora de atores de filmes como Tropa de Elite, Central do Brasil e Cidade de Deus. Marcelo não passou pelas mãos de Fátima, por isso ele não sabe julgar o processo criativo dela, porém defende a seguinte tese: “Ator tem que ter técnica, não precisa sofrer.”. Fátima é diferente, busca no âmago do ator toda a interpretação, por isso é muito comum, nos finais das cenas, o ator estar chorando descontroladamente, ou, se for uma cena de luta, ele sair com um braço quebrado. Para Marcelo, buscar a verdade em cena é o maior desafio do ator. “Eu, Marcelo, me apaixono em cena”. A diferenciação entre o ator e o personagem durante as cenas é quase impossível, Callegaro se envolve tanto na cena, que fica até desconectado da sua realidade, por isso mesmo ele odeia que alguém entre em seu camarim ao fim do espetáculo, por não ter um botãozinho que o desliga automaticamente do personagem quando sai de cena.  

O primeiro personagem profissional do Marcelo Callegaro no teatro foi a raposa da peça O Patinho Feio. Ele tinha acabado de entrar no grupo teatral Sotaque da cidade de Campinas, sua terra natal. Marcelo ensaiava para outra peça quando o ator que fazia a raposa teve um problema e precisou se afastar faltando apenas dois dias da estreia. Com isso, apareceu o convite de ele fazer o personagem. Com apenas dois dias de ensaio, usando um figurino pequeno que apertava seus pés e não o deixava enxergar perfeitamente, Marcelo foi indicado naquele ano para a categoria de melhor ator coadjuvante do festival em que a peça participava. Isso nunca mais aconteceu, mesmo nas vezes em que se preparou melhor.

Seu tipo de personagem predileto são os ardilosos, como a raposa do O Patinho Feio. Contudo, Marcelo sempre é escalado para fazer mocinhos e príncipes.  Os príncipes encantados, personagens chatos para Callegaro, sempre o perseguiram em sua carreira. Apesar de tudo, ele admite ter potencial para ser príncipe, desde que sejam os multifacetados, pois para ele não existem pessoas exclusivamente boazinhas, bonitinhas ou coisa parecida, como é a imagem banalizada de um príncipe. Os personagens, assim como as pessoas, são um emaranhado de sentimentos, personalidades e condutas. Outro mito infantil desconstruído por Marcelo é a Cinderela, que ele considera uma bobona, isso porque ela tem medo e vergonha do que é, medo da sua essência, ela foge da festa exatamente porque, em minutos, voltaria a ser quem realmente é. Fica clara a indignação de Marcelo por tal história servir de exemplo para as crianças.

Ser escalado como príncipe acaba sendo perfeitamente entendível quando se conhece Marcelo Callegaro. Ele é bonito, alto, inteligente, sedutor, confiante e interessante. Tem todos os ingredientes para ser um príncipe da vida real. Sua beleza certamente abriu muitas portas e ele sabe aproveitar disso sem se tornar um canastrão.

Desde criança, ele sempre foi uma espécie de exemplo, aluno aplicado e o número 1 da sala, até conhecer o teatro, que derrubou todos os seus paradigmas da educação, como o eles mesmo costuma dizer. Marcelo fazia um curso técnico de eletrônica, na época o curso mais promissor, não sabendo exatamente porque o fazia, apenas tinha ciência que o odiava e mesmo assim era o melhor da turma. Aos 17 anos, teve que fazer uma escolha que mudaria sua vida, tirar sua carteira de motorista ou, com o dinheiro, fazer o primeiro curso de teatro. Não que seu pai o tivesse lhe dado essa opção. Na verdade ele ganharia apenas a carta de motorista, mas optou pelo curso. A habilitação só viria aos 19 anos.

 A expressão “estudar para ser alguém na vida” tira Marcelo do sério, pois, na medida em que a pessoa nasce, ela já é alguém. De qualquer maneira, Marcelo estudou oito anos para ser o ator que é hoje, por isso mesmo faz questão de diferenciar famosos e artistas. Ele teve apoio de sua família para seguir a incerta carreira artística, só uma exigência partiu de seu pai: “brilhar no que fosse que escolhesse para sua vida”. Ser ator foi uma escolha lógica, Marcelo nunca pensou em outra hipótese, ele respira teatro desde criança.

Há três anos, Marcelo Callegaro faz parte do elenco da companhia de teatro XPTO, estreou no grupo com a peça O Público, de García Lorca. Antes de ingressar no grupo, Marcelo tinha dado um tempo para reconstruir sua vida após um investimento errado. Ele estava dando aula de inglês fazia dois anos e meio quando apareceu o teste. Para fazê-lo, escreveu uma carta de apresentação totalmente esquizofrênica, como ele mesmo diz, que poderia ser resumida a “um ovo de avestruz”. No dia do teste, todos queriam saber quem era o Marcelo Callegaro que comparou a existência, o teatro e aquela própria carta a um “ovão”. Foi fácil identificá-lo, Marcelo chegou no dia de seu teste com um ovo de avestruz de verdade. Unindo a audácia ao talento, foi rapidamente convidado a ingressar no grupo. Hoje Marcelo trabalha em um projeto itinerante de teatro de boneco e teatro de objetos. 

Marcelo conclui que hoje o teatro virou um ato de resistência. Resistir ao entretenimento, ao cinema, aos efeitos do tempo e da sociedade 3.0 de consumo. A função do teatro é fazer o homem pensar, é transcender, quase um ato ritualístico, é criar um movimento de transformação. Hoje o teatro tem um príncipe multifacetado como defensor.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

meu texto no editorial de um jornal

 Mês passado eu tive a honrosa surpresa de receber um e-mail do editor-chefe da Gazeta do Paraná, um jornal que circula em mais de 280 cidades paranaenses, em que me notificou que usaria meu texto no editorial do jornal.
Eu fiquei bastante feliz, pois afinal de contas ele encontrou meu texto em meu blog, sim este aqui mulambento que deixo de postar por períodos longos. O texto eu escrevi durante as eleições municipais de 2006 em que eu critiquei o horário eleitoral e a artificialidade dos debates políticos.
Abaixo vocês podem conferir o editorial do jornal e em itálico meu texto que foi usado na íntegra (ou se preferir, no final do post tem o texto como foi publicado no jornal, porém eu só consegui a imagem após a publicação deste post): 



Os debates

O blogueiro paulista Leandro Vitor, estudante de comunicação e que segundo consta no seu site trabalho com marketing em uma grande instituição financeira, ainda na campanha eleitoral de 2008 produziu um pequeno texto de grande valor. Jovem, Vitor não tem a experiência das “velhas raposas” da política, nem ainda é um “doutor” em comunicação e marketing. Porém, no texto que segue dá aulas de como o (e)leitor precisa ter uma consciência crítica e não “engolir” tudo o que lhe oferecem sem digerir antes.
E apesar do texto estar se referindo a campanha de 2008, parece ser um resgate de 2006, 2004 ou 2002, ou ainda, ter sido escrito para 2010 ou já projetar 2012. E, de fato, a não ser por alguns efeitos gráficos, nova posição para as luzes e arranjos diferenciado nos jingles, os programas eleitorais, nos dois primeiros dias de exibição, não trazem absolutamente nada de novo, como já analisado aqui ontem. Atente para o diz o estudante.
“Não sei se isso acontece apenas comigo, mas em todos os debates políticos televisivos eu rio deliberadamente. O cinismo em alguns casos é extremo. Se pergunta algo e responde o que bem entender, se acusa de algo e o político se faz de vítima. Os candidatos decoram números que seus assessores reuniram e soltam como se realmente tivessem conhecimento do que dizem, como se pudesse resumir política em números, muitas vezes, duvidosos.
Os eleitores devem priorizar esses debates na hora de escolher seu candidato e não as chamadas do horário político. Esse segundo é tudo feito por marqueiteiros especializados que criam jingles grudentos, mostram cenas de comoção e fazem todo um marketing em torno do candidato, fazem o eleitor acreditar que ele é demais e na verdade, nesses comerciais e programas partidários, ele é apenas um boneco, um modelo, que faz o que pedem.
Nos debates eles são altamente instruídos, decoram frases de impacto, mas na hora do ‘vamos ver’, em alguns momentos a máscara cai e o candidato está ali nu, ele mesmo com suas idéias e, principalmente, argumentos. É exatamente nessas horas que eu rio, quando o candidato se mostra quem é.” E tinha (ou tem) ou não razão?


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Eu gostei bastante da introdução do jornalista e, como disse, fiquei honrado com a visibilidade. Porém, fiquei chateado por dois motivos com o jornal Gazeta do Paraná. Primeiro, eu NOTIFICADO que meu texto seria usado, em momento algum foi pedido. Tanto que recebi o e-mail em um dia à noite e no dia seguinte ele foi publicado. Meus textos aqui do blog eu permito usarem, desde que me dêem os créditos, como foi feito, mas é sempre mais educado pedirem.
Outra chateação minha foi o descaso. Eu pedi como retribuição apenas um print screen da página para eu guardar como recordação e postar aqui no meu blog. Foi publicado no dia 19/08 o meu texto e até hoje esperei por um retorno deles. Não fui atendido, achei uma atitude grosseira e antiética do jornal. Eu não confiaria à Gazeta do Paraná como minha fonte de informação, pois com predicados como estes, não deve ser lá um jornal de credibilidade. 




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Após o post acima eu recebi um comentário do Jornal do Paraná, um tweet no Twitter e um e-mail com o arquivo que reivindiquei no texto. Não irei mudar o que escrevi, porém vou completá-lo com o arquivo que vocês poderão ler na íntegra agora. ( clique na imagem e com a lupa dê um zoom, isso no próprio navegador, ou então entre neste link do meu Tumblr )

 

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O péssimo hábito de beber água engarrafada

Existe uma coisa que eu não consigo entender: o consumo voraz pelas garrafas de água mineral (quando não água torneiral disfarçada de mineral). Virou moda, agora a tendência é comprar água engarrafada, mesmo que seja para beber um gole. Eu vejo a água vinda da indústria como uma alternativa quando você está na rua e com sede, porém não vejo utilidade beber quando está em seu lar ou qualquer outro lugar onde haja à disposição água potável.



Nunca imaginei que aquele líquido insípido, inodoro e incolor, ou seja, a coisa mais sem graça do mundo, pudesse virar marca ou grife. Muitas delas cobram um valor que é de desacreditar. Por exemplo aqui no Brasil, a água San Pellegrino, vinda diretamente de alguma fonte italiana, do outro lado do Atlântico, com 750ml custa em média R$10,00. Qual é o sentindo de pagar esse valor por 750 mililitros de água? Pior, qual é o sentindo de um brasileiro, que tem o privilégio de morar em um país com a maior reserva de água doce do mundo, comprar uma água italiana engarrafada? Sério, não faz sentindo algum.


Hoje em dia é chique ter em sua geladeira garrafas de Perrier, Panna ou San Pellegrino (citando apenas os exemplos gringos, daqui a pouco chego aos nacionais) dividindo espaço com alimentos. E onde estão as garrafas de água gelada? Os paulistanos têm o privilégio de ter um dos melhores sistemas de tratamento de água do planeta e mesmo assim recorrem às águas de fontes européias. Seria por status? Não combina um jantar glamoroso com um lindo copo de água de um filtro ou é realmente necessário uma água Panna? Água não tem etiqueta! Água, no máximo, tem frescura.


Exemplo desse é a água da Danone chamada Bonafont. Ela se apresenta como se fosse melhor com as demais, praticamente como um componente medicinal. Bebendo-a é possível até mesmo se livrar do inchamento e retenção de líquidos. Felizmente tenho a dizer que qualquer água tem esse poder milagroso de auxiliar no combate da retenção de líquidos. E digo mais, qualquer água potável tem o poder de matar a sede e hidratar! Seja ela do filtro da sua casa ou de um riacho que corta a montanha Fuji.


Existe um objeto chamado squeeze, que todo mundo ganha e nunca é nosso objeto de desejo, serve justamente para armazenar água. Invés de você comprar garrafas e mais garrafas de água, encha sua squeeze com uma água do seu filtro que você confia e seja feliz. O meio ambiente e seu bolso vão agradecer imensamente! E de uma vez por todas, não é chique beber água de garrafa, independente da grife ou do valor que você pagou, chega até a ser feio.


Eu não falei nada sobre agressão ao meio ambiente que essa prática exerce, convido vocês a assistirem o documentário “A história da água engarrafada” (The Story of Bottled Water). Ele é curto, interessante e não é eco chato e nem doutrinador, permite que o expectador tire suas próprias conclusões.


The Story of Bottled Water (Português) from Guilherme Machado on Vimeo.