domingo, 27 de abril de 2014
O voo da borboletinha
- Senhorita, com licença, posso te tocar?
- Humm... Melhor não, se você me tocar, todo mundo também vai querer.
- E tirar foto?
- Claro!
- Você rebola para mim?
- Tá!
E lá foi a borboletinha voar, quer dizer, rebolar para mim.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Deus existe
Enquanto eu chorava cortando cebolas para o almoço de
domingo, minha tia septuagenária e carola de carteirinha, contava-me como a
missa naquela manhã foi bonita. Eram lágrimas e silêncio da minha parte,
entusiasmo e brilho nos olhos da parte dela. Em algum momento daquele relato clérigo
ela me diz “Por isso que você tem que ser uma pessoa boa. Deus ajuda quem é
bom!”.
Sem deixar de cortar e olhar minhas cebolas eu disse com a
maior naturalidade do mundo que Deus não existia. Ela deu um grito assustado e
fez uma cara de total reprovação. Se eu tivesse dado um tapa em suas fuças ou
cuspido em sua cara certamente ela não teria ficado tão horrorizada quanto com
o que acabara de ouvir. Imediatamente ela protestou e disse que Deus existia
sim e aquilo que eu estava falando era um pecado gravíssimo! Parei de cortar a
cebola, olhei para a cara dela com um pouco de desdém e disse pausadamente “De-us
não e-xis-te!”.
Foi um auê. Heresia para minha tia é considerado o pior
defeito que um ser humano pode ter. Ela foi provar para mim que Deus existia.
Disse que quando minha avó estava próxima do falecimento ela viu Deus no
hospital. Eu respondi: “Ela estava doente fazia meses, sob efeito de remédios
fortes, ela não viu Deus, foi apenas uma alucinação. Igual a Xuxa, ela viu
duendes, mas ela estava muito louca! Igual um amigo meu que quando toma uns
chás mineiros ele jura que está tocando violão com John Lennon, mas o Lennon
não existe mais!”. Minha tia afrontadíssima não se deu por convencionada e
disse que iria me contar uma história que comprovaria que Deus existe.
Eis a história: Deus de vez em quando sai pela rua para
testar as pessoas. Uma vez, há muito tempo, quando era velhinho, ele estava
vestido de mendigo e parou em uma casa para pedir comida. A senhora que morava
lá tinha acabado de matar uma galinha, quando viu alguém se aproximando colocou
uma bacia por cima e atendeu a porta. Deus então perguntou se ela não tinha uma
galinha para dar de comer, ela prontamente disse que não, só tinha uma galanga.
Deus então disse: “Então galanga será!” Nesse momento a galinha se transformou
em uma galanga e começou a andar.
Nesse momento eu já tinha parado de cortar o tomate e
perguntei que raio de coisa é essa galanga. Ela disse que é galanga é galanga,
oras bolas. Insisti mais um pouco e recebi a resposta “galanga é tipo uma
tartaruga”. Nesse momento o mundo se descortinou diante de mim, agora tudo fazia
sentido. A galinha estava escondida embaixo de uma bacia, Deus viu a cena e a
mulher mesquinha disse que não, aquilo era uma galanga/tartaruga/jabuti, então
ele fez a “vontade” da mulher e transformou a galinha em um quelônio! A mulher
ficou sem o alimento e aprendeu a não ser mesquinha e a minha tia ganhou uma
história para provar as pessoas que Deus existe!
Depois de um surto de gargalhada, no qual minha tia não achou
muita graça, eu admiti que fatos são fatos e voltei a acreditar em Deus.
Antes eu confidenciei que quem me convenceu que Deus não existe foi meu irmão,
que estava na sala, e se eu fosse ela iria contar a história da galanga para
ele. E lá foi a tia Cidinha inspecionar se meu irmão acreditava ou não em
Deus...
Para adicionar, segundo o dicionário, galanga é uma erva
chinesa. Como essa história provavelmente veio da Itália, é possível que houve
algum erro de tradução para o português ou é algum neologismo do parte da minha
tia ou de quem contou para ela.
Por ora, eu acredito em Deus, não sou cristão e na
sexta-feira da Paixão irei comer peixe, afinal de contas, cresci em uma família
católica e essa minha tia me levava à missa.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Meu dia normal
Às
7 da manhã toca o despertador do meu iPhone, eu levanto da cama e caminho até a
escrivaninha para desligá-lo. Dirijo-me ao banheiro relembrando todos meus
compromissos do dia e decido cancelá-los um a um sem diferenciação. Estou tão
cansado que quero apenas chegar o mais rápido possível de novo em casa e
dormir. Faço xixi, lavo o rosto e volto à escrivaninha do meu quarto para
verificar as mensagens recebidas na tela inicial do celular. Caso tenha recebido
de quem eu amo eu respondo de imediato, se recebi de pessoas X amaldiçoou
mentalmente. Desço as escadas com cautela para literalmente não cair de sono,
vou para a cozinha, abro em silêncio a porta para o Malmö entrar pulando de
alegria, preparo meu café da manhã, se o dia está quente esquento o leite com
Ovomaltine, se o dia está frio, tomo leite gelado com Ovomaltine. Coloco água
no copo e deixo na pia. Volto para meu quarto, remarco em pensamento todos os meus
compromissos recém-cancelados, pego qualquer roupa no
guarda-roupa, ainda com sono não consigo calcular qual seria a melhor
combinação, preparo minha mochila, se é dia de academia escolho o mochilão,
coloco tênis, meias sports, short e camiseta dry-fit. Visto minha roupa do dia,
escolho o perfume do dia, escovo os dentes, se estou com saco eu penteio o
cabelo, coloco os sapatos, procuro minhas chaves, coloco ração e água para o
Malmö e saio. Ainda na rua de casa lembro que esqueci o guarda-chuva ou não
peguei blusa de frio, torço que não chova ou esfrie; olho para os pés para me
certificar que estou usando sapatos do mesmo par. Pego um ônibus em direção ao
metrô, desço no metrô, a estação está lotada, espero alguns trens e em nenhum é
possível viajar com dignidade, entro no último vagão de algum trem que eu caibo,
abro o Twitter, leio as pessoas reclamando de acordar e manchetes do Estadão e do
BlueBus, coloco o celular no bolso, abaixo a cabeça, fecho os olhos e fico
repetindo mentalmente que não estou ali ou perguntando se eu não deveria mesmo
não estar ali. Desço na estação Anhangabaú, sinto o frescor do oxigênio e não
do gás carbônico alheio bater no meu rosto, tenho minha primeira felicidade do
dia, vou até o terminal Bandeira, escolho o ônibus mais vazio que passa pela Av.
Cidade Jardim, sento no banco alto, abro novamente o Twitter, posto algo que
pensei no trajeto até lá, tentando não ser mal humorado porque quero fazer do
mundo um lugar melhor, mando mensagem para a Tábata, Milena ou Murilão, abro um
livro e começo a ler ou então aproveito a viagem para tuitar mais um pouco ou
olhar os prédios e a interessante Avenida 9 de julho. Desço na mesma avenida
depois do ponto da Rua Turquia, procuro meu crachá, chego à empresa, torço
apenas que eu tenha chegado antes da minha chefe - faz parte da minha pessoa
chegar ao escritório antes do chefe, não importa se estou adiantado ou atrasado,
não importa quem seja meu chefe -, sou uma das primeiras pessoas a chegar de
todo escritório, dou bom dia para a Maria – minha primeira frase do dia -, bato
o ponto às 9 horas e penso "até daqui 10 horas", deixo a mochila na
minha mesa, vou ao toalete, lavo as mãos com bastante sabonete, volto para a
mesa, abro meu notebook, olho os remetentes dos e-mails e começo a trabalhar.
10h30 como algo meu ou peço para a Tabata, meio-dia vou almoçar sozinho porque
gosto de almoçar sozinho, é meu momento, tipo tomar banho, mas sem dor na
consciência porque estou jogando água pelo ralo. Ponho no prato cenoura ralada,
beterraba, um negocinho que parece raiz e tem em salada japonesa, arroz
integral, feijão e frango grelhado. Não aceito bebida porque engorda, mas pego
gelatina porque deixa a bunda dura. Volto para o escritório e pelos 15 próximos
minutos eu não trabalho, apenas quero ler fofoca de subcelebridade e notícias
de Política ou Economia Internacional. Escovo os dentes e encaro a segunda
parte da jornada de trabalho. 16h30 tenho fome de novo, como algo meu, peço
para a Tabata ou desço na lojinha e compro algum alimético sem adição de
açúcar. Olho o Twitter, compartilho algum link e tento descobrir qual é o
assunto do dia. Passam-se as 10 horas, bato o ponto e vou para a academia como
quem vai para a forca, caminho vagarosamente pelas ruas escuras do Itaim, sem
pressa de chegar ao meu destino, olho para Le Vin Bistro e estou certo que um
dia preciso jantar lá, talvez no meu próximo date, chego na academia, vou para
o vestiário, escolho um armário grande, desço para a esteira, corro 36 minutos
alternando a velocidade, 2 minutos velocidade 13, 2 minutos velocidade 5,5,
assim por 18 vezes. Desço para a musculação e me pergunto se realmente preciso
daquilo e se meu corpo não é suficientemente atraente, já que não faço
musculação por saúde, mas apenas por autoestima e para continuar obtendo
razoável sucesso na aprovação alheia. Termino meus exercícios, encho minha
shakeira de água e chacoalho com o whey protein, atravesso a rua, pego um
ônibus para Pinheiros, bebo aquela bebida horrível, entro no metrô Faria Lima, penso
na minha vida, me pergunto se sou feliz, se estou fazendo a coisa certa, se
deveria ousar mais, se não deveria viajar, morar fora por um tempo, concluo que
a vida é curta demais para viver em São Paulo. Concluo, também, que eu era mais
feliz quando namorava e como meu último relacionamento foi o melhor de todos os
relacionamentos e só me vejo construindo uma família ou tendo uma vida a dois com
essa mesma pessoa protagonista na minha existência. Repenso e decido abortar a
ideia de tentar dar um novo início ao meu fim, há histórias que se convergem
para lados distintos, estou quase chegando em casa, procuro a chave de casa,
que sempre está no fundo da mochila, meu cachorro escuta eu tocar no portão e
late desesperadamente de alegria, enquanto abro a porta do corredor ele late,
chora, pula e gira do outro lado com a maior alegria do universo, ao contrário
de manhã eu interajo com ele, chamando “Cadê o meu neneeeeeeeê? Maaaaaalmö? Ô
Maaaaaaaalmö!”, abro a porta, ele pula em mim, chora, lambe minha mão, entra
comigo em casa. Ponho a mochila no sofá, dou mais água e comida para ele, lavo
minha mão com sabonete antibacteriano (não pela lambida, mas pelos balaústres),
subo para meu quarto, fico apenas de Crocs laranja e short, preparo meu jantar
e brinco com o Malmö, janto, levo meu cachorro para passear no quarteirão de
casa, volto e tomo banho. Escolho se vou lavar meu rosto com espuma de limpeza
ou sabonete em barra para pele oleosa, escolho quais dos shampoos usarei
naquela noite, lembro que preciso lavar a pia porque tem pasta de dente seca no
mármore, escovo meus dentes, fecho a casa e fico no meu quarto. Abro Instagram
distribuo meus likes, abro Facebook, mando mensagens, agendo para despertar às
7hrs. Já são meia-noite, preciso dormir 7 horas para estar pronto para o dia
seguinte. Rezo por mim, pela minha avó falecida, por quem eu quiser e no fim
digo Amém, lembro que não cristão, apesar de ter criação católica, peço
desculpas pela gafe e termino sem Amém. Decido com qual travesseiro vou dormir
e com qual vou ficar abraçado e em minutos ou segundos já estou sonhando com
alguma bizarrice até às 7 da manhã do mesmo dia.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
O dia que tive Hepatite B por 80 longos minutos
Anualmente faço um check
up geral, em 2013 fiz no próprio ambulatório da Natura e estava tudo ótimo
comigo. Este ano usei minha velha tática de ligar para todos os consultórios
dos arredores e marcar o melhor horário para mim. Marquei com tal de Dr. Roberto
em frente ao Clube Pinheiros.
Ele me solicitou todos os exames possíveis e pedi também meu tipo sanguíneo, eu sempre peço e nunca memorizo. Fui ao HCor Diagnósticos na Cidade Jardim e semana passada, após o almoço, voltei para buscar. Eu sempre que faço esses exames fico no cagaço, não acho que eu esteja devendo, mas é um medo, assim como tenho medo de cobra, tenho medo de resultado de exame. Todas as vezes que faço meus exames até para a igreja eu vou rezar, não que eu seja católico, mas eu vou, porque vai que né... Desta vez não rezei, não fui à igreja, não lembrei do exame, tal era a minha total certeza que estava vendendo saúde.
Eu obviamente não preciso de médicos para ler meus exames e dizer que estou saudável. Por isso eu nem marquei retorno com o Dr. Roberto. Abri meus exames no próprio HCor. Eram vários envelopes, o primeiro tudo ok, o segundo eu abro e a palavra POSITIVO pula em meus olhos. Meu coração deu uma pontada e só pensei “Ai meu Deus! É HIV?”. Bato os olhos novamente e leio O POSITIVO! Ufa, era apenas meu tipo sanguíneo (nunca mais o esquecerei depois desse susto!). Abro mais um envelope e o colesterol LDL, HDL, triglicérides e todos aqueles outros estavam muito bons. Abro mais um envelope (haja envelope, porra! Haja emoção, caralho!) vejo HIV não reagente, Hepatite C não reagente e Hepatite B deu reagente. Olhei de novo e não era erro de leitura, eu li aquilo mesmo. A pontada no coração voltou, dessa vez mais forte e acompanhada de suor e falta de forças nas pernas. Eu me arrastei até um balcão e pedi pelo amor de Deus por um médico que pudesse ler aquele exame para mim. Agora sim eu precisava de médicos instuídos para ler exames. Não havia um puto para me atender, simplesmente pediram que eu procurasse meu médico. Eu lá sabia o telefone do meu médico? Só lembrava que ficava na frente do Clube Pinheiros. Tinha uma amiga do trabalho me esperando no hall, eu estava pálido quando a encontrei, ela imediatamente perguntou o que aconteceu, pedi apenas que me tirasse dali e me levasse ao meu médico porque eu estava com Hepatite B. Ela tentou me acalmar “Você tem certeza que leu certo o exame? Relaxa não é o fim do mundo, todo mundo tem isso, talvez até eu tenha!”. Essa consolação não me ajudou em nada, há um ano a médica do ambulatório da Natura disse que meus exames estavam impressionantemente bons, como contraí essa doença? Namorei 2013 inteiro, ato sexual não poderia ser.
Procurei o endereço do “meu” médico e simplesmente não achei, não conseguia digitar nada, minhas mãos tremiam. Decidi ir até o prédio mesmo assim e lá perguntaria na portaria. Estava chovendo forte e lá fui eu com um guarda-chuva pequeno enfrentar a tempestade dos céus e da minha vida. Chegando no consultório eu o encontrei trancado. Não acreditei, sentei numa cadeira e googlei “HEPATITE B TEM CURA?”. A resposta do primeiro resultado era não! Também li que se contrai em contato com sangue, sêmen, secreção vaginal ou saliva. Levando em consideração que eu estava em um relacionamento fechado e tenho pavor de sangue (meu ou alheio), concluí que eu contraí tomando caipirinha no canudinho de alguém!!!
Saindo do “meu” médico pensei o que fazer da vida, precisava voltar para o escritório pegar minhas coisas. Eu já estava todo molhado, amuado e deprimido. Já até sentia meu fígado doer e todas as consequências que aquela doença causaria na minha vida e das pessoas que convivem comigo. Nisso 3 garotos, de uns 17 anos, atravessam a rua e passam correndo pelo meu lado. Aquilo me fez chorar, eu me lembrei de quando eu tinha 17 anos e tinha tanta vida e saúde. Peguei minhas coisas no escritório e decidi que precisava ir para um hospital, precisava falar com um médico. Enquanto isso liguei para uma amiga que trabalha com o Drauzio Varella, talvez ela tivesse informações privilegiadas ou palavras de sabedoria. Informações privilegiadas não encontrei de imediato, mas foi muito bom ter o apoio dela.
Cheguei ao hospital 9 de Julho, fui direto para o pronto-socorro, sabendo que se eu chegasse com exames para serem lindos era possível não conseguir atendimento imediato, por isso eu já cheguei lá morrendo. Minha cara devia ser de moribundo, até mancando eu estava. Enquanto não era atendido pelo médico eu li e reli meus exames, queria encontrar brechas. Uma delas era: como eu estava doente se meu número de leucócitos estava estável? Outra brecha era que havia dois exames de Hepatite B, um total e outro com alguma expressão que não lembro agora. O primeiro deu NÃO REAGENTE e o segundo REAGENTE. Não queria me apegar em esperanças, eu sabia que estava doente. Dentre todas as pessoas esperando atendimento no pronto-socorro, visivelmente eu estava com a pior aparência. Tipo caso de internação. Logo fui atendido e o doutor “O que você está sentindo?”. Respondi que na verdade nada, mas tinha aberto meus exames e acabara de descobrir que tinha contraído uma Hepatite B. Peguei o exame, apontei e comecei a chorar. Ele leu com atenção e me perguntou “Você se vacinou contra a Hepatite B?”, respondi que não lembrava, lembro que me vacinei contra a Febre Amarela quando eu iria ao Amazonas. O médico com desprezo disse que meu exame dizia que eu fui vacinado contra a Hepatite B e estava imune à doença. Meu choro parou imediatamente, aquela foi a melhor notícia que ouvi na vida! Algo surreal aconteceu naquele consultório, eu não me contive e comecei a sambar na frente do médico mal encarado. Sambei, sambei, sambei. Tinha que comemorar. Fui embora com cara de quem ganha na Mega Sena, sorrindo e sambando. Notei olhares julgadores da sala de espera, mas nem dei bola, não é todo dia que se contraí uma Hepatite B, fica terrivelmente doente por 80 minutos e depois se cura desta maneira milagrosa.
Minha alegria foi tanta que era 5 da tarde e invés de ir para casa ou maltratar meu fígado super saudável com uma cerveja, eu voltei para o trabalho, afinal de contas, estava mais saudável do que aqueles três moleques de 17 anos da Faria Lima.
Depois desse susto minha vida ficou mais simples. Eu estava com um grande problema que não estava me deixando dormir direito há dias. Eu simplesmente desencanei e dois dias depois solucionei meu problemão. Estou com aquela sensação que nada é tão importante como a minha saúde.
Quem já ouviu essa história da minha boca deu risada da minha cara, mas o desespero e o susto que passei não desejo a ninguém! Por isso, cuidem-se! A Tainah Medeiros, minha amiga que trabalha com o Drauzio, coincidentemente no dia seguinte foi cobrir um congresso sobre Hepatite.
Ele me solicitou todos os exames possíveis e pedi também meu tipo sanguíneo, eu sempre peço e nunca memorizo. Fui ao HCor Diagnósticos na Cidade Jardim e semana passada, após o almoço, voltei para buscar. Eu sempre que faço esses exames fico no cagaço, não acho que eu esteja devendo, mas é um medo, assim como tenho medo de cobra, tenho medo de resultado de exame. Todas as vezes que faço meus exames até para a igreja eu vou rezar, não que eu seja católico, mas eu vou, porque vai que né... Desta vez não rezei, não fui à igreja, não lembrei do exame, tal era a minha total certeza que estava vendendo saúde.
Eu obviamente não preciso de médicos para ler meus exames e dizer que estou saudável. Por isso eu nem marquei retorno com o Dr. Roberto. Abri meus exames no próprio HCor. Eram vários envelopes, o primeiro tudo ok, o segundo eu abro e a palavra POSITIVO pula em meus olhos. Meu coração deu uma pontada e só pensei “Ai meu Deus! É HIV?”. Bato os olhos novamente e leio O POSITIVO! Ufa, era apenas meu tipo sanguíneo (nunca mais o esquecerei depois desse susto!). Abro mais um envelope e o colesterol LDL, HDL, triglicérides e todos aqueles outros estavam muito bons. Abro mais um envelope (haja envelope, porra! Haja emoção, caralho!) vejo HIV não reagente, Hepatite C não reagente e Hepatite B deu reagente. Olhei de novo e não era erro de leitura, eu li aquilo mesmo. A pontada no coração voltou, dessa vez mais forte e acompanhada de suor e falta de forças nas pernas. Eu me arrastei até um balcão e pedi pelo amor de Deus por um médico que pudesse ler aquele exame para mim. Agora sim eu precisava de médicos instuídos para ler exames. Não havia um puto para me atender, simplesmente pediram que eu procurasse meu médico. Eu lá sabia o telefone do meu médico? Só lembrava que ficava na frente do Clube Pinheiros. Tinha uma amiga do trabalho me esperando no hall, eu estava pálido quando a encontrei, ela imediatamente perguntou o que aconteceu, pedi apenas que me tirasse dali e me levasse ao meu médico porque eu estava com Hepatite B. Ela tentou me acalmar “Você tem certeza que leu certo o exame? Relaxa não é o fim do mundo, todo mundo tem isso, talvez até eu tenha!”. Essa consolação não me ajudou em nada, há um ano a médica do ambulatório da Natura disse que meus exames estavam impressionantemente bons, como contraí essa doença? Namorei 2013 inteiro, ato sexual não poderia ser.
Procurei o endereço do “meu” médico e simplesmente não achei, não conseguia digitar nada, minhas mãos tremiam. Decidi ir até o prédio mesmo assim e lá perguntaria na portaria. Estava chovendo forte e lá fui eu com um guarda-chuva pequeno enfrentar a tempestade dos céus e da minha vida. Chegando no consultório eu o encontrei trancado. Não acreditei, sentei numa cadeira e googlei “HEPATITE B TEM CURA?”. A resposta do primeiro resultado era não! Também li que se contrai em contato com sangue, sêmen, secreção vaginal ou saliva. Levando em consideração que eu estava em um relacionamento fechado e tenho pavor de sangue (meu ou alheio), concluí que eu contraí tomando caipirinha no canudinho de alguém!!!
Saindo do “meu” médico pensei o que fazer da vida, precisava voltar para o escritório pegar minhas coisas. Eu já estava todo molhado, amuado e deprimido. Já até sentia meu fígado doer e todas as consequências que aquela doença causaria na minha vida e das pessoas que convivem comigo. Nisso 3 garotos, de uns 17 anos, atravessam a rua e passam correndo pelo meu lado. Aquilo me fez chorar, eu me lembrei de quando eu tinha 17 anos e tinha tanta vida e saúde. Peguei minhas coisas no escritório e decidi que precisava ir para um hospital, precisava falar com um médico. Enquanto isso liguei para uma amiga que trabalha com o Drauzio Varella, talvez ela tivesse informações privilegiadas ou palavras de sabedoria. Informações privilegiadas não encontrei de imediato, mas foi muito bom ter o apoio dela.
Cheguei ao hospital 9 de Julho, fui direto para o pronto-socorro, sabendo que se eu chegasse com exames para serem lindos era possível não conseguir atendimento imediato, por isso eu já cheguei lá morrendo. Minha cara devia ser de moribundo, até mancando eu estava. Enquanto não era atendido pelo médico eu li e reli meus exames, queria encontrar brechas. Uma delas era: como eu estava doente se meu número de leucócitos estava estável? Outra brecha era que havia dois exames de Hepatite B, um total e outro com alguma expressão que não lembro agora. O primeiro deu NÃO REAGENTE e o segundo REAGENTE. Não queria me apegar em esperanças, eu sabia que estava doente. Dentre todas as pessoas esperando atendimento no pronto-socorro, visivelmente eu estava com a pior aparência. Tipo caso de internação. Logo fui atendido e o doutor “O que você está sentindo?”. Respondi que na verdade nada, mas tinha aberto meus exames e acabara de descobrir que tinha contraído uma Hepatite B. Peguei o exame, apontei e comecei a chorar. Ele leu com atenção e me perguntou “Você se vacinou contra a Hepatite B?”, respondi que não lembrava, lembro que me vacinei contra a Febre Amarela quando eu iria ao Amazonas. O médico com desprezo disse que meu exame dizia que eu fui vacinado contra a Hepatite B e estava imune à doença. Meu choro parou imediatamente, aquela foi a melhor notícia que ouvi na vida! Algo surreal aconteceu naquele consultório, eu não me contive e comecei a sambar na frente do médico mal encarado. Sambei, sambei, sambei. Tinha que comemorar. Fui embora com cara de quem ganha na Mega Sena, sorrindo e sambando. Notei olhares julgadores da sala de espera, mas nem dei bola, não é todo dia que se contraí uma Hepatite B, fica terrivelmente doente por 80 minutos e depois se cura desta maneira milagrosa.
Minha alegria foi tanta que era 5 da tarde e invés de ir para casa ou maltratar meu fígado super saudável com uma cerveja, eu voltei para o trabalho, afinal de contas, estava mais saudável do que aqueles três moleques de 17 anos da Faria Lima.
Depois desse susto minha vida ficou mais simples. Eu estava com um grande problema que não estava me deixando dormir direito há dias. Eu simplesmente desencanei e dois dias depois solucionei meu problemão. Estou com aquela sensação que nada é tão importante como a minha saúde.
Quem já ouviu essa história da minha boca deu risada da minha cara, mas o desespero e o susto que passei não desejo a ninguém! Por isso, cuidem-se! A Tainah Medeiros, minha amiga que trabalha com o Drauzio, coincidentemente no dia seguinte foi cobrir um congresso sobre Hepatite.
Ela publicou a matéria e
fiquei impressionado sobre a atual situação dessa doença no mundo e no Brasil,
além de alguns mitos e verdades muito bem explicados em um infográfico. Acho de
utilidade pública ler esta matéria, se tiver 5 minutinhos, só clicar no link
aqui.
sábado, 29 de março de 2014
Minha experiência no Erótika Fair
Esta semana começou a Erótika Fair em
SP e baseada em minha experiência do ano passado eu vou te convencer a ir ou
não nesta edição.
Para quem não sabe, ano passado eu e uma amiga abrimos um sex shop online, contudo, tivemos que dar um tempo por mim e por ela. No meu caso eu fui indiretamente ameaçado pela minha ex-chefe de ser demitido caso eu tivesse um projeto paralelo ao meu trabalho e a minha amiga estava mudando o foco da carreira dela de TI para Comercial. Como desde o início tínhamos combinado em privilegiar nossas carreiras ao sex shop, decidimos parar momentaneamente, mesmo tendo recebido propostas de investidores (uaaauuu) com valores BEM razoáveis! Exatamente por causa do sex shop a gente decidiu ir à feira. Por ser uma feira prioritariamente de business, nosso foco era conhecer novos produtos, negócios e trocar cartões. Querem uma dica para ganhar dinheiro? Invista no mercado erótico! Quer outra dica? Seja um importador e distribuidor de brinquedos eróticos, é um oceano quase azul! ;)
Como eu já esperava e ao contrário do que as matérias da Rede TV adoram mostrar, a Erótika Fair não tem gente pelada andando pelos corredores e nem suruba. É tipo a Bienal do Livro, mas invés de livros há pintos de borracha e bolinhas explosivas lubrificantes.
Eu e minha sócia conhecemos diversas pessoas e empresas nesse dia, comemos amendoins oferecidos pelos expositores, trocamos cartões e foi uma feira bem interessante sob o ponto de vista de negócio. Entretanto, a feira tem duas partes. Uma para profissionais da área ou consumidores de produtos eróticos e outro que é para público geral/diversificado/liberal/ sexualizado com diversas opções de entretenimento,
se assim posso falar. Inclusive a feira é separada! De um lado negócios e do
outro entretenimento.
Para quem não sabe, ano passado eu e uma amiga abrimos um sex shop online, contudo, tivemos que dar um tempo por mim e por ela. No meu caso eu fui indiretamente ameaçado pela minha ex-chefe de ser demitido caso eu tivesse um projeto paralelo ao meu trabalho e a minha amiga estava mudando o foco da carreira dela de TI para Comercial. Como desde o início tínhamos combinado em privilegiar nossas carreiras ao sex shop, decidimos parar momentaneamente, mesmo tendo recebido propostas de investidores (uaaauuu) com valores BEM razoáveis! Exatamente por causa do sex shop a gente decidiu ir à feira. Por ser uma feira prioritariamente de business, nosso foco era conhecer novos produtos, negócios e trocar cartões. Querem uma dica para ganhar dinheiro? Invista no mercado erótico! Quer outra dica? Seja um importador e distribuidor de brinquedos eróticos, é um oceano quase azul! ;)
Como eu já esperava e ao contrário do que as matérias da Rede TV adoram mostrar, a Erótika Fair não tem gente pelada andando pelos corredores e nem suruba. É tipo a Bienal do Livro, mas invés de livros há pintos de borracha e bolinhas explosivas lubrificantes.
Eu e minha sócia conhecemos diversas pessoas e empresas nesse dia, comemos amendoins oferecidos pelos expositores, trocamos cartões e foi uma feira bem interessante sob o ponto de vista de negócio. Entretanto, a feira tem duas partes. Uma para profissionais da área ou consumidores de produtos eróticos e outro que é para público geral/diversificado/liberal/
Concluído nosso objetivo inicial, propus a minha sócia conhecer a outra parte. Não estávamos na pegada de diversão. Eu há poucas semanas tinha terminado um namoro super conturbado por Whatsapp. Terminar um namoro por Whatsapp é tipo o fundo do poço e não poderia haver fim mais apropriado para aquela minha relação horrorosa. Minha amiga se encontrava ainda pior, ela estava tecnicamente viúva há uma semana. O ex-namorado dela havia morrido uma semana antes, no aniversário dela, dois dias depois que ela terminou a relação. Ele faleceu por uma doença grave que descobriu em um dia e morreu no outro, o término nada influenciou na morte. Para piorar ela só soube do falecimento do mesmo depois do enterro dele e para piorar ainda mais, ela desconfiava que estivesse grávida dele, porque não havia menstruado até então e para piorar (sim, tinha como!), a irmã dele, uma lésbica mais masculina que o José Mayer, que ainda por cima era cafetina, agenciava garotas de programa de luxo e tem como clientes diversas pessoas e casais famosos que se eu mencionasse aqui ninguém nunca acreditaria, mas são clientes dela, enfim, a ex-cunhada já tinha até se oferecido para ser pai da criança! Resumindo, a gente não estava em clima de entretenimento, mesmo assim fomos! A gente já estava lá mesmo...
Ao chegar encontramos um estúdio de tatuagem e para minha surpresa havia interessados se tatuando. Que tipo de gente vai numa feira erótica e volta com tatuagem nova para casa? Eu me pergunto isso até hoje! Depois uma cabine que tirava fotos na hora. Como era de graça, tiramos algumas fotos. Eu com chifres de viking (ou corno), ela com tetas de plástico gigantescas por fora da roupa e nós algemados um ao outro. Fizemos algumas caras safadinhas e ganhamos nossas fotos. Tão logo saímos fomos convidados, quase intimados pelo staff, a entrar no teatro do local e assistir aos shows.
Vimos um show de pole dance com alguma campeã brasileira, esse show mais parecia espetáculo circense e não ligado ao erotismo, de qualquer maneira eu gostei. Logo em seguida entrou no palco a Silvetty Montilla, uma drag queen famosa e muito engraçada que vire e mexe está na tevê. Em sua apresentação ela selecionou pessoas aleatórias da plateia e convidou para subirem ao palco e participarem de uma competição concorrendo a prêmios. Não pessoal, eu não subi, inclusive até me encolhi com medo de ser escolhido por ela. A Silvetty convidava, se a pessoa não aceitava, ela insistia com simpatia, se ainda assim não aceitava ela descia do palco para intimar com certa firmeza, bom se nesse caso a pessoa ainda não aceitava, a Silvetty, que originalmente de fábrica é um negão de quase 1,90m, engrossa a voz e grita "você não vai subir nesse caralho, porra?". Depois dessa abordagem não houve um sequer que não subiu oprimido e amedrontado. Eu não me ofereci para subir por vários motivos: sou tímido, havia mais de 100 pessoas naquele teatro e conhecendo show da Silvetty (já fui a stand up comedy dela e show em festas) no mínimo eu pagaria o mico de dançar É o Tchan para mais de 100 pessoas sóbrias. Se você acha que isso pode ser a pior coisa que poderia acontecer em um palco, acredite, qualquer pessoa optaria dançar a discografia completa do Tchan invés de protagonizar o que aconteceu naquele palco e aqui vou relatar.
Como disse, a Silvetty
selecionou pessoas aleatórias e formou casais no palco. A brincadeira era se
passar por um casal verossímil e sedutor. Imagine a situação, você está no
palco, forma um casal com um desconhecido e precisa dançar sensualmente para
ele (e mais a plateia), apalpá-lo e tudo mais o que a drag queen pedir. Foi
isso que aconteceu. Metade dos casais, obviamente, não tiveram a menor química
e por isso foram eliminados. Porém, dois casais sobraram e eles queriam ganhar
o tal prêmio a qualquer custo e toparam fazer de um tudo no palco, por exemplo,
os homens ficaram apenas de cueca e tênis e as mulheres fizeram twerking nos
desconhecidos. O ponto alto foi no “vale tudo”, uma performance sedutora.
Resumindo uma das mulheres jogou o cara no chão e começou a cavalgar nele de
cueca! (não houve contato sexual!!!). Perplexo, eu só pensava “essas pessoas
não têm família? Não tem juízo?”. Eu não sou moralista, pelo contrário, sou defensor
pela livre sexualidade do ser humano. Para mim pode fazer o quiser, desde que o
casal, trio ou grupo envolvido deseje, mas, por favor, façam em quatro paredes,
não precisa ser no palco com centenas de pessoas assistindo, filmando e fotografando.
Sei lá, apenas minha opinião.
Enfim, esse casal ganhou! A
moça desinibida estava crente que iria ganhar um anel da Silvetty que valia
mais do que um apartamento em Pirituba. Mas, o prêmio final era ingressos para
o Clube das Mulheres. Para finalizar o show deles, o cara que estava no palco
namorava e a namorada vendo tudo da plateia. Quando a Silvetty descobriu isso
tratou de chamar a namorada para o palco a fim de criar uma briga, um confronto
físico, um barraco para lavar a alma. A namorada foi ao palco e para minha
surpresa achou o show excitante e acabou beijando profundamente de língua a
moça que cavalgou no namorado minutos antes. E o namorado o que fez? Sacou o
celular do bolso e filmou o beijo das duas mulheres. Aos interessados, terá
show da Silvetty Montilla no Erotika Fair todos os dias às 19h30.
Se você acha que tudo que
relatei é pesado demais, não continue, daqui para frente a coisa só piora! Terminando o espetáculo da
Silvetty começou o show do Clube das Mulheres. Eu já vi na tv diversas vezes,
como já estava lá e era de graça, continuei na minha cadeira e presenciei uma
das coisas mais horrorosas que vi na vida. O Clube das Mulheres é composto por
senhores com a maior autoestima entre os seres humanos da Terra. Na década de
80, muito provavelmente eles eram homens malhados e bonitões, em 2013 eles
ainda acreditam que o sejam! Imagine senhores na faixa dos 50 anos, ex-malhados
e atualmente inchados, caracterizados de marinheiro, índio, cowboy e outros “fetiches”,
rebolando da forma mais heterossexual possível e falando barbaridades ao
microfone? É isso o show, a sensação é de tédio e vergonha alheia. Fomos embora
daquele teatro durante o show do bombeiro que queria apagar o fogo da mulherada
e ao sairmos nos deparamos com algumas filas!
Se há
fila, logo pensei, estão distribuindo alguma coisa! Oba, eu quero. Primeiro
analisei as 3 filas. A primeira e maior só havia homens e todos
desacompanhados, exceto um que estava com uma mulher, a outra fila era composta
apenas por casais e também era grande e a terceira fila, era uma mistura de
tudo e era pequena. Apostei na segunda fila e ficamos eu e a minha sócia
esperando o presente que ganharíamos. Logo descobri que na verdade ninguém
ganhava presente algum.
Não se
sabia o que havia depois da fila, porque em todas tinham uma porta escondendo o
que acontecia por dentro da estrutura criada. A primeira fileira era oferecida
por uma produtora pornô. Não entrei para saber o que essa produtora pornô
oferecia, pelos comentários entendi que dentro daquela estrutura eram exibidos
filmes pornôs do Canal Sexy Hot. A minha fila era mais demorada e tinha uma
hostess na porta toda tatuada e com piercings. Entravam duas pessoas por vez, a
grande maioria eram casais. As paredes desse local era uma espécie de plástico
usado como divisória em alguns escritórios simples. O casal entrava e da fila
se ouvia uma gritaria de desespero, socos e batidas nessa parede de plástico. Era
um cenário que gerava ansiedade nas pessoas da fila. Minha mente brilhante logo
pensou “deve ser tipo um Castelo dos Horrores do Playcenter, vai ter ator
vestido de monstro, só isso explica a gritaria.”. Quando nos tornamos o segundo
casal da fila a hostess perguntou para o casal da frente “Com emoção ou sem
emoção?”. Eles pediram com emoção e foram jogados para o breu que era o outro
lado da porta! A minha sócia logo falou para mim “Lê, por favor, sem emoção!”.
Pouco depois a hostess “Com emoção ou sem emoção?”. Eu estava na chuva, eu
queria mesmo era ficar ensopado! “Com emoção!” A minha amiga arregalou os olhos
e antes que pudesse protestar, ela foi empurrada dentro da sala escura e quase
caiu de boca no chão. Não havia monstros! Havia 5 mulheres cavalonas, tipo
Panicat, todas só de calcinha e sutiã. A sala era escura, mas perfeitamente
visível, não havia nada além de uma cadeira no centro e uma meia luz em cima
dela. Ao entrarmos elas começaram a gritar, bater nas paredes e dizer que iam
foder a gente! Eu fui arrastado para a cadeira e me sentaram nela, minha sócia
também foi trazida e o estupro começou! Uma mulher colocou os peitos dela na
minha orelha e passou as mãos por dentro da minha camisa, outra colocou a bunda
literalmente na minha cara e ficou esfregando em mim gritando e gemendo como
uma americana em filme pornô, uma terceira sentou no meu colo e começou a pular!
As outras duas mulheres estavam cuidando da minha amiga, uma molestando os
peitos dela e tentando tirar o vestido e a outra com a mão embaixo das pernas subindo
para vocês bem sabem onde. Tudo isso aconteceu em menos de 8 segundos! Eu e
minha sócia estávamos simplesmente paralisados! Foi quando a consciência voltou
e começamos a interagir. A bunda que estava sendo esfregada no meu nariz
recebeu um tapa meu! Algo em mim disse que não teria problema se eu desse um
tapinha. Ela gritou e pediu mais, e recebeu mais, bom, enfim, essa putaria
louca durou uns 30 segundos. Eu realmente me diverti, a minha amiga menos,
porque ela tinha duas mãos e brigava com quatro mãos para não chegarem até a
calcinha dela... Acabado nosso tempo saímos de lá com marcas de batom, eu no
pescoço e ela nos peitos, eu todo vermelho e com o cinto quase desfivelado, ela
trazendo o vestido para baixo novamente e com o cabelo tudo para cima. As
meninas gritavam pedindo que a gente voltasse para visita-las mais tarde...
Acho
que nossa aparência estava realmente engraçada, saímos pela mesma porta que
entramos e o povo tudo apontado para nós. Nenhum outro casal tinha saído tão
diferente de como entrou. Digamos que foi com MUITA emoção. Antes mesmo que a
gente se recompusesse, entramos na terceira fila, eu tinha absoluta certeza que
nada poderia ser tão intenso e emocionante como o que acabamos de viver. Engano
meu... A fila era menor e logo chegou nossa vez. Mesmo cenário, porta
escondendo um local escuro, uma cadeira no centro, meia luz no teto e 5 homens
de sunga e cueca de couro, super marombados. O menorzinho ali deveria ter 1,80m
e bem forte de academia. Mesma cena, eu arrastado e jogado na cadeira, dessa
vez com razoável violência, e não havia peitos ou bunda na minha cara. Um cara sadomasoquista
me pegou pelos cabelos, enquanto o outro me segurava, e gritava “Se deu mal
alemão, vamu te fazer de putinha aqui igual na cadeia!”, antes que eu pudesse
dizer que não estuprei ninguém, que eu era inocente, eu levei um tapa na cara, outra
puxada de cabelo e mais tapa, depois ele esfregou minha cara no abdômen do
outro algoz. Nunca apanhei tanto na vida, não teve Direitos Humanos naquele
recinto. A coisa foi braba. Minha amiga, coitada, eu estava apanhando tanto que
não vi o que se passava com ela, só sabia que era ele e mais 3 homens grandes.
Quando bateram na porta dizendo que acabou o nosso tempo, sério, foi o maior
alívio da minha vida. Um dos caras já estava pegando uma corda para me amarrar
e no caso da minha amiga um dos caras já tinha abaixado a sunga. A gente saiu
no pinote daquele lugar. Lembrando, ninguém havia perguntado se podia fazer
isso ou aquilo. Eu fiquei todo o tempo mudo e a minha amiga gritava assustada
AI MEU DEUS, AI MEU DEUS a cada segundo.
Depois
desses dois episódios nós fomos embora da Erotika Fair? Na verdade não...
Mortificados de medo a gente pegou mais uma fila que não tínhamos percebido e
essa estava vazia. Desta vez a sala não era escura e não havia cadeira. Mas,
uma das paredes tinha diversos buracos com a largura de um braço forte. Eu que
não sou trouxa já sabia o que tinha lá dentro, mas minha sócia não. Eu avisei “cuidado
com a cobra, ela pode te picar!”. Não deu outra, minha amiga encontrou uma
cobrona, segundo ela. Levou a picada e aí sim, nós fomos embora da feira.
Isso e
outras coisas vocês podem encontrar na Erótika Fair 2014! Quem for, me conta
depois da experiência!
sexta-feira, 14 de junho de 2013
relato de um protestante pacífico
Ontem participei do protesto a favor de um transporte público,
digno, acessível, de qualidade, e principalmente, pelo direito democrático de
protestar! Faz alguns dias que por meio das redes sociais estou demonstrando
apoio ao movimento e criticando a truculência do governo acerca do legítimo
direito de protestar. Para mim não fazia sentido ficar gritando pelo Facebook e
não fazer nada, além disso, precisava ir até o olho do furacão e ver o que é a
realidade segundo meus olhos e não segundo a imprensa ou depoimentos de
terceiros.
Chegando à concentração em frente ao Theatro Municipal confesso
que estava assustado, era meu primeiro protesto e sabia que a PM iria pegar
pesado. Estava tudo na maior paz. Muitas bandeiras, muitos cartazes, flores e
jovens heroicos em brado retumbante. Quando começou a passeata meu coração bateu
mais forte, me benzi em silêncio e caminhamos em direção a av. Ipiranga. Três maloqueiros estavam pixando lojas e logo
foram repreendidos pela maioria, inclusive por mim. Ao chegarmos na Ipiranga eu
tomei um susto, éramos muitos jovens heroicos, não tinha até então noção da
quantidade de pessoas. E tudo pacífico, vez ou outra alguém subia onde não
devia e um coro de “Desce, desce, desce” iniciava. As pessoas nos prédios eram
convidadas a participarem e a quantidade de jovens heroicos só aumentava. Eu
estava surpreso com a civilidade e a entrega de todos aqueles participantes.
Realmente não fazia o menor sentido intitular aquelas pessoas de bugios
vagabundos, como fizeram dois dias antes.
Ao chegamos à rua da Consolação, bem perto do Mackenzie, bombas e tiros foram
voltados para os manifestantes pacíficos. Foi uma truculência desmedida. Daí em
seguida foi um show de horror, jovens heroicos correndo com flores e cartazes nas
mãos de policiais com escudo, cassetete, bombas e armas. Atravessamos a praça Roosevelt e caímos na
Augusta. Lá eu percebi que estava fazendo a coisa certa. Dezenas de carros
parados no meio da rua, impossibilitados de andar, com vários motoristas
batendo palmas, alguns abrindo os vidros e incentivando, muitos moradores nas
janelas aplaudindo e cantando. A população estava finalmente acordando. (óbvio
que havia motoristas com cara amarrada e bravos com toda aquela “baderna do bem”).
Nenhum carro ou pessoa, repito, nenhum carro ou pessoa foi agredido. A polícia
fechou a Augusta e subimos pela Bela Cintra. Ninguém ali queria guerra com os
policiais, queríamos apenas mostrar a força da sociedade consciente. Novamente
Tropa de Choque, Cavalaria e mais bombas estavam sendo despejados nos jovens
heroicos. Era mais de 8 da noite, eu resolvi que já tinha feito minha parte por
um país melhor.
Fui embora sozinho. Voltei para a Augusta, fui cercado em
frente ao Ibotirama pela Tropa de Choque, junto com outros civis e pouquíssimos
manifestantes, eles apontaram arma para nós, uma senhora do meu lado chorava
desesperadamente, a peguei pela mão e fugimos para a Frei Caneca. Para minha
surpresa havia mais policiais atirando na rua também na Frei Caneca. Recapitulando,
havia Trope de Choque e Cavalaria na Bela Cintra, havia Tropa de Choque
apontando armas para as pessoas na Augusta ONDE NÃO ESTAVA ACONTECENDO A MANIFESTAÇÃO,
apenas pessoas como eu indo para casa ou civis sem nenhuma relação com os
manifestos e havia policiais na Frei Caneca. Subi então pela Peixoto Gomide,
única rua que não havia policiais e mais alguns manifestantes que não estavam protestando.
O que vi de errado: alguns deles estavam chutando os lixos, fazendo isso de
forma isolada não é protesto, mas foi um ato tão pequeno comparando com tudo
que tinha visto até então.
Cheguei até a Paulista e não entendi porque ela estava
fechada se o movimento não havia chegado ali. Muitos policiais, gritaria de
civis e de longe vi uma pessoa sendo chutada por policiais. Fiquei pensando o
que ela sozinha poderia ter feito de tão grave para ser chutado por vários
policiais. Alguém passou gritando do meu lado dizendo que a PM estava batendo
em qualquer pessoa, independente se estava na manifestação. Agora entendi
porque até a imprensa foi agredida e levaram bala da polícia. A violência
policial estava tão desproporcional que acabou sobrando para qualquer pessoa
que estivesse na rua.
Segunda-feira, dia 17
de junho, caso o Governo não abra para negociações (como o Ministério Público
já pediu e o Governo se negou), eu estarei novamente no meio desses jovens
heroicos em brado retumbante conquistando com braço forte nossa liberdade de
poder sonhar por um mundo melhor, mais justo, mais seguro e mais íntegro.
Assinado,
Um protestante pacífico
terça-feira, 11 de junho de 2013
A questão não são os 20 centavos
Cresci ouvindo que a minha geração é acomodada, que somos
"revoltadinhos de apartamento" e "rebeldes sem causa", que
protestamos apenas na frente da tela do computador e etc.
Agora uma parte mais politizada e esperta dessa mesma
geração sai à rua para lutar pelos direitos de todos nós e são taxados de
vagabundos, esquerdistas, bugios revoltados, bandidos...
O Brasil está precisando de uma mudança, alguém discorda
disso? Aos que enchem a boca para chamar os manifestantes de bandidos e bugios
revoltados, como vocês sugerem que nasça essa mudança? Deixa eu adivinhar! Das
urnas? HAHAHAHAHAHA Nenhuma mudança significativa irá acontecer sem movimentos visíveis
orquestrados e intencionados por jovens/cidadãos inconformados com a nossa
realidade. Foi assim na Primavera Árabe, para ficar apenas no caso mais recente
e sem entrar na história do Brasil, e será assim caso queiramos de fato uma
mudança substancial.
A questão aqui não são apenas os 20 centavos, é tudo muito
maior, essas pessoas estão lutando pelo direito de dignidade e para dar voz ao
cidadão. Cidadão, esse personagem social, que há 20 anos se encontra mudo,
quase morto. Ainda que os conservadores individualistas "que andam de SUV a
caminho dos happy hours dos Jardins"* queiram calar os inconformados e
assim fazer prevalecer esse conformismo que assola toda a sociedade de gados
que apenas reclama do Governo dizendo “imagina na Copa”, eu dou todo o meu
apoio às manifestações, tanto que quinta-feira haverá outra, no mesmo bat local
e bat horário de hoje e pretendo estar lá. Porque quem reclama do trânsito, do
lixo queimado ou da estação de metrô depredada gerados pelos protestos, imagino
que concorda com a realidade ou tem um plano mais eficiente, silencioso e limpo
de como mudar para melhor. Eu não me conformo com a realidade e não tenho um
plano individual mais eficaz do que um grito em coro.
*trecho retirado do ótimo texto do André Borges Lopes chamado "Jovens vão às ruas e nos mostram que desaprendemos a sonhar".
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Desiderata
Na medida do possível, e sem se atraiçoar, tenha boas relações com todas as pessoas.
Diga a sua verdade quieta e claramente. Ouça os outros, mesmo os obtusos e ignorantes. Eles também têm uma estória a contar.
Evite as pessoas ruidosas e agressivas. Elas são tormentos para o espírito.
Se você se comparar aos outros, você se tornará ora vaidoso, ora amargo, pois há sempre pessoas que lhe são inferiores ou superiores.
Goze tanto as suas realizações quanto os seus sonhos. Mantenha-se interessado naquilo que você faz, por humilde que seja. Aquilo que você faz é algo que você realmente possui, num tempo em que tudo muda sem parar.
Pratique a prudência nos seus assuntos comerciais, pois o mundo está cheio de trapaças. Mas não deixe que isto o faça cego para as virtudes que existem. Muitas pessoas se esforçam por ideais altos. Por toda parte a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo. Não finja afeição. E nem seja cínico acerca do amor. A despeito da aridez e do desencanto, ele renasce tão teimosamente quanto a tiririca.
Aceite com elegância o conselho dos anos, deixando graciosamente para trás os prazeres da juventude. Crie força de espírito para proteger-se na desgraça repentina. Não se aflija, porém, com coisas imaginadas. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão.
Tenha uma disciplina saudável, mas seja gentil para consigo mesmo. Você é um filho do universo, tanto quanto as árvores e as estrelas. Você tem o direito de estar aqui. E, quer você saiba disto ou não, o fato é que o universo caminha como deve. Por isto, esteja em paz com Deus, não importa como você pensa que ele é.
A despeito da barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a sua alma.
Com todos os seus enganos, labutas e sonhos não realizados, este continua a ser um belo mundo. Cuide-se. Esforce-se por ser feliz...
Texto de Max Ehrmann
terça-feira, 20 de março de 2012
Fiat 500: pequeno, mas ordinário
Qual é a primeira coisa que vocês pensam quando pergunto quais seriam as vantagens de ter um Fiat 500?
Possivelmente irão responder:
- Design que impressiona;
- Fácil de estacionar;
- Ágil no trânsito de uma cidade cosmopolita;
- ECONÔMICO!
Eu como proprietário de um Fiat 500 1.4 Cult retirado da agência Ponto Veículos no dia 3 de janeiro de 2012 posso dizer se essas vantagens são realmente verdadeiras.
Realmente o design é um espetáculo a parte, recebo elogios sempre que paro para abastecer;
Estacionar é uma mamata, pequeninho ele cabe em vagas que normalmente carros maiores não caberiam;
O motor de 1400 cilindrados e os 88 cavalos dá agilidade ao carro nos momentos necessários, seu peso e a incapacidade de carregar muito peso faz com que o carro nunca decepcione numa subida íngreme.
Sobre ECONOMIA, agora sim começa meu texto! Se eu dissesse que meu carro faz menos de 8 quilômetros por litro com gasolina na estrada você acreditaria? Por essa razão eu tirei algumas fotos do painel do automóvel e quero provar. Em uma ocasião, quando ele tinha rodado 1924 quilômetros, estava fazendo em média 8,0 km/l, tempos depois quando estava com 4109 km/l ele PIOROU, começou a fazer 7,8 km/l.
Com 4109km e consumindo 7.8 km/l com gasolina
Vocês podem questionar sobre a qualidade do combustível. Eu só abasteço em postos confiáveis e colocava gasolina aditivada, de melhor qualidade. Você podem então dizer que o problema é a pecinha atrás do volante. Contudo, meu pai que dirige há 25 anos já pegou meu carro diversas vezes e nenhuma alteração na consumação. Vivo com ar condicionado ligado? Raramente ligo, basicamente ando de vidro aberto, porque sem ar ligado ele faz 8 km/l imagine com o ar ligado...
Levei meu carro à concessionária que comprei, ele passou pelo piloto de testes da Fiat, foram feitos os testes necessários e nada de anormal foi encontrado. A sugestão que me deram: volte quando seu carro estiver com 5.500 kms rodados, assim ele amacia o motor. EM PLENO ANO DE 2012 AINDA SE FALA EM AMACIAR MOTOR? Só mesmo a Fiat.
A questão é, estou há dois meses e meio com um Fiat 500 que está gastando um litro de gasolina que custa R$2,60 para rodar 8 quilômetros. Sabe quantos quilômetros faz em média uma Hilux 4x4? Mais de 10 km/l. Sabe quantos faz uma SUV Subaru Forester com o DOBRO de cavalos do Cinquecento? 11km/l! ONZE!
O principal motivo de eu ter comprado um Fiat 500 não foi o design ou a facilidade de trafegar na cidade e estacionar, mas sim por terem me prometido que era econômico. Eu trabalho em outra cidade, ando em média por mês 1500kms, pego rodovia todos os dias e por esse motivo queria um carro que gastasse pouco. O Fiat 500 foi uma das maiores decepções da minha vida! Paguei caro e o prejuízo que levo toda vez que paro em um posto de gasolina é maior ainda.
A Fiat não me dá suporte nenhum, pelo contrário, eu procuro ajuda e eles lavam as mãos. Como se o fabricante não fossem eles.
Lembro bem quando o vendedor me prometeu que o carro faria 16km/l na estrada, quem sabe até 18, meus olhos brilharam e eu decidi desistir do Chevrolet Agile. Na cidade a promessa era pelo menos 12km/l. Nunca que meu carro chegou perto dos 12km/l nem mesmo na estrada!
Vejam esta pesquisa do Inmetro feito para o Programa Brasileiro de Etiquetagem. Testes feito em um Fiat 500 idêntico ao meu mostraram que com gasolina ele faz 11km/l na cidade e 12,8km/l na estrada. A média que eu faço é 8... Duas coisas a dizer: obviamente meu carro tem algo errado e a Fiat não quer se responsabilizar pelo problema. Outra coisa, o vendedor me vendeu prometendo que na estrada faria 16km/l... Ou seja, me iludiu, mentiu, me passou para trás. Estou vendo maneiras de processar a Fiat montadora e a Fiat Ponto por essa situação lamentável que estou passando.
Fica aqui a dica para você que deseja adquirir um Fiat 500. A não ser que você seja dono de posto de gasolina, eu não recomendo comprar esse veículo!
Caso desejem falar comigo sobre o carro meu email é leandruuu@uol.com.br Estou colocando à venda, mas ao contrário da Fiat eu não vou mentir, direi a verdade. O consumo médio do meu carro é 8 por litro e não 16 por litro. Donos de postos de combustíveis Interessados? Falem comigo.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
A história do Fiat 500 sem tapete
Há um mês eu retirei um Fiat 500 cult 1.4 na Ponto Veículos São Miguel. Quem me atendeu foi o vendedor Marcos.
Para minha surpresa ao receber o automóvel ele veio sem tapete. Eu fiquei chocado. Quem que compra um carro premium e imagina que seu veículo virá sem tapete? Nunca passei por constrangimento parecido com outra montadora. Por ora, este é meu primeiro Fiat.
Durante a negociação da compra do veículo e após negócio fechado nunca comentaram comigo que não viria com tapete. Repito, foi total surpresa. Acontece que faz um mês que tenho o carro e até hoje não tenho tapete.
Estávamos no mês de janeiro, mês que mais chove no estado de São Paulo e meu carro anda com PAPEL JORNAL NO ASSOALHO. Vejam que ridículo, eu tenho um Fiat Cinquecento, um carro premiado internacionalmente pelo seu design, que por dentro é um lixão, POIS É FORRADO COM PAPEL JORNAL. As circunstâncias me deram duas escolhas: sujar o assoalho de lama ou forrar de papel jornal?
Daí vocês poderiam pensar "Senhor Leandro, se você teve dinheiro para comprar um carro que custa pelo menos 40 mil reais, e nós somos uma montadora que não pensamos no cliente, por que você não comprou também um tapete?". Eu tentei! Próximo do meu trabalho tem uma concessionária chamada Sinal Alphaville, liguei lá para pedir informação sobre o tapete e eles me trataram tão mal que por um momento pensei que invés de ter pedido para COMPRAR um acessório, eu estava mendigando. Vejam só o péssimo atendimento sendo realizado em duas concessionárias distintas. Eu sou uma pessoa educada e por isso mesmo toda vez que sou mal atendido por um prestador de serviços eu me sinto agredido. Meu sentimento pela Fiat: fui agredido por vocês duas vezes.
Voltei na minha concessionária, a Ponto, e encomendei por telefone. Quando fui buscar na agência, que fica a 60km do meu trabalho, o tapete encomendado havia SUMIDO. Imagine, eu saí mais cedo do trabalho apenas para comprar um tapete e não ter mais jornal em meu veículo, chego à agência e eles não faziam ideia de onde estava o tapete encomendado.
Fui insistente e paguei o tapete, mesmo sem tê-lo, conversei com o gerente da loja, ele me prometeu que entregariam em casa no dia seguinte. Sabe que dia eu comprei e paguei o tapete? Dia 24 de JANEIRO. Hoje é dia 2 de fevereiro e nada do meu tapete. Ligo todos os dias na agência querendo saber do tapete que eu COMPREI e PAGUEI. Toda vez que eu falo com o Diego, pessoa de acessórios, ele fala "Nossa, não entregaram????". O que aconteceu com meu tapete? Foi roubado? Extraviado? Querem me vencer pelo cansaço?
Falo com o gerente da loja, por telefone, e ele diz que nunca conversou comigo e que não prometeu nada. ELE SE FAZ DE SONSO!!!!!! A recomendação dele: que eu falte do meu trabalho para ir buscar o tapete que não veio no meu carro e que eu comprei por fora e que prometeram me entregar em casa e nunca me entregaram. Isto é sensato para vocês?
Peço que a Fiat providencie o quanto antes um jogo de tapete do Fiat 500 ou então que me dê uma assinatura de jornal. Porque do jeito que está, não dá mais.
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