domingo, 23 de maio de 2010

Confusão no show de Yann Tiersen durante a Virada Cultural em Piracicaba

O que foi aquilo que aconteceu ontem em Piracicaba? Um dos maiores desrespeitos e humilhações que eu e centenas de pessoas passamos envolta do teatro municipal para assistir ao show do Yann Tiersen!
Estava no site, foi dito por e-mail e por telefone que iriam distribuir 20% dos ingressos às 10 da manhã, porém distribuíram muitos mais da metade. A fila para pegar o restante do ingresso, que em tese eram os 80% restantes começou a se formar 7 HORAS ANTES e entre essas pessoas estava eu que vim de outra cidade especialmente para assistir ao show. Deixaram acumular uma fila tão grande que encheriam 3 ou mais teatros como aquele e ninguém fez nada.
Engana-se que o show foi gratuito, o contribuinte paulista pagou caro por aquela zorra e foi desrespeitado ao limite.
A Secretária de Cultura não sabia quem era o Yann Tiersen? No mínimo pensaram que era um qualquer francês; eu o esperava vir ao Brasil há anos, havia na fila pessoas de Manaus!!!! E eles, assim como eu, não conseguiram assistir ao show.
Que grande porcaria essa virada cultural do interior, sem nada planejado, bem a cara do funcionalismo público paulista, isso que dá deixar nas mãos desses vagabundos a tarefa de fazer um evento desse porte, dá em merda!
Em Piracicaba a Virada Cultural foi uma porcaria, nem vi Virada, vi tumulto, gritos, choros e bêbados. Essa é a imagem que levo da cidade, lugar que se Deus quiser nunca mais colocarei meus pés novamente.
Preciso aqui citar alguns nomes, deixar registrado a incompetência desses seres despreparados que ficaram com a missão de fazer uma boa Virada Cultural, mas acabaram criando uma Zona "Acultural": Lívia Maria Paes, supervisora geral que deixou explícito que não supervisou porcaria nenhuma, porque não tem competência para isso, Gabi Gonçalves e Preta Ribeiro, que são totalmente despreparadas e irresponsáveis. Pessoas como essas não podem ter orçamento em mãos, quando têm fazem merda, prova disso Virada Paulista em Piracicaba!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

custo x benefício dos ovos de Páscoa

Por ser Páscoa eu quero compartilhar o motivo que me fez não comprar nenhum ovo de Páscoa.
Alguém percebeu o quanto ficou mais caro os preços desses ovos? Eu acho um absurdo o valor cobrado por alguns gramas de chocolate que nem é nobre. Ultimamente ando muito metidinho em relação a chocolates, comendo alguns feitos na Suiça, Alemanha e França e até mesmo os nacionais, das melhores chocolaterias tupiniquins. Confesso que tenho uma grande queda por Prestígio da Nestlé, mas isto é detalhe hehe
Daí vejo os valores dos ovos comuns e dá até desânimo, 300 gramas de chocolate por mais de 20 reais, simplesmente porque tem forma oval.
O site Coma Com os Olhos fez a tabela abaixo comparando gramas de ovos com a mesma quantidade dele original em barra, a diferença de valor é absurda. Sorry, vou deixar a magia da Páscoa chocólatra de lado e não comprarei nenhum ovo.

sábado, 20 de março de 2010

verdades sobre o ecoturismo


Falarei sobre ECOTURISMO.
Eu como um ex-profissional da área tenho uma afinidade e conhecimento de causa um pouco mais desenvolvido.
Antes acho justo e necessário desmitificar que não existe ecoturismo quer não agrida a natureza, o que existe é minimizar o máximo possível do impacto na natureza nesses passeios feitos junto à natureza. Prova disso que estou falando é o governo federal estar começando a proibir a visitação de diversas cavernas e grutas pelo Brasil à fora, é indiscutível que quem vai conhecer uma caverna tem afinidades com a natureza. (parece estranho o que eu disse, mas muuuuuita gente não tem afinidade com a natureza e vive isolada dela, mas enfim, são escolhas e gostos próprios).
Dito essa introdução do ecoturismo, eu vou elencar algumas características dessa modalidade de turismo e se você por acaso já fez ecoturismo, relembre se todas essas características ditas aqui fizeram parte do seu passeio, caso foram descumpridas, você apenas conheceu a natureza e deixou uma cicatriz nela:
- Ecoturismo é feito em pequena escala, caso seu grupo seja grande ou há outros vários grupos em um determinado local, pode ter certeza que estarão, mesmo contra vontade própria agredindo a natureza. As cavernas do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) tem um controle de grupos que podem visitar por dia cada caverna. Depois que esse número é atingido, nenhum outro grupo pode entrar no parque.
- A infraestrutura deve ser modesta. Ou seja, nada de resorts em área de proteção ambiental. Uma das grandes farsas de ecoturismo nacional são os hotéis de selva. É totalmente descabida a ideia de conforto de hotel 5 estrelas no meio da floresta Amazônica. Você vive sim em contato com a natureza, afinal de contas está fincado exatamente no meio dela, mas pode ter certeza que a natureza sofreu muito para ser construído esse oásis e sofre com o número de visitantes e funcionários que vivem e usufruem do luxo longe da civilização.
- Os visitantes têm uma mentalidade menos espoliativa e agressiva. Isto é, você não vai visitar uma ilha quase que deserta e levar contigo uma pedra de recordação. Porque imagine se todos os visitantes que forem lá tiverem a mesma atitude que você, em quanto tempo ainda haverá pedras nessa ilha? Certa vez eu fui na Ilha do Cardoso e uns adolescentes pegaram uma sacola de pedras de recordação, eu fiz todos devolverem, afinal de contas já inventaram a máquina fotográfica.
- Os moradores das comunidades locais são beneficiados pelo ecoturismo. Por isso se você faz essa modalidade de turismo e apenas grandes empresas que fazem todo o passeio, pode ter certeza que você estará promovendo a pobreza local. Não existe guia turístico melhor que o morador que nasceu e cresceu naquele lugar, não existe lembrança melhor do que o artesanato feito por aquelas pessoas e não existe comida melhor do que a culinária local.
- Passeio sem aprendizado é desfrute gratuito do local. Não adianta você ir em um lugar de preservação e não saber o porquê aquele lugar é preservado, quais tipos de vida existem no local e etc. Ir apenas para usufruir das qualidade naturais é predadorismo. Deve haver uma conscientização ecológica e uma educação ambiental, senão nada daquilo terá havido a pena.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Funcionário de uma grande empresa

Ano passado eu decidi estagiar na área de marketing de uma grande empresa. Por dois motivos: ambiente onde eu pudesse aprender com profissionais experientes e ter a oportunidade de crescimento. Por isso eu acabei me inscrevendo em diversos programas de estágios. Esses programas recebem sempre milhares de inscritos e em muitos deles eu fui para frente. No próximo post eu vou escrever um texto dando dicas cruciais de como ir bem nesses processos. Resumindo essa parte, eu passei nos processos seletivos do Itaú, da Oi, da Volkswagen e do Santander. Eu pude escolher a empresa na qual eu gostaria de trabalhar. Um luxo merecido, pois eu dediquei boa parte do segundo semestre de 2009 com esses programas.

Eu optei em trabalhar no Santander por diversos motivos, desde remuneração até a política de desenvolvimento dos funcionários. O modo que a empresa foi apresentada pela Page Personnel - consultoria de recrutamento - fazia qualquer funcionário público pensar duas vezes se não trocaria seu emprego estável por um emprego na instituição.
Estou satisfeito com a minha escolha, eu ainda não comecei o trabalho, mas já conheci a equipe com quem vou trabalhar, o lugar e parte do prédio. O edifício que fica a sede do Grupo Santander Brasil é um capítulo a parte. Li na Exame que ele custou 1 bilhão e 100 mil reais. É um dos prédios mais imponentes de São Paulo. Estou encantado pelo prédio até agora. Meu andar será o vigésimo, onde fica o departamento de Qualidade e Sustentabilidade. Isto é, o meu departamento!
De cara houve uma empatia pelos meus superiores. Acredito que foi recíproco, já que foram eles que deram a palavra final e me contrataram.
A resposta que eu fui selecionado veio exatamente há um mês. E só consegui entregar a documentação exigida pelo RH da empresa há dois dias. O CIEE, o Mackenzie e os fatos mais inesperados possíveis fizeram eu atrasar a entrega. Eu já tinha ódio da burocracia, hoje eu já declarei guerra contra ela. 
Resumindo. Estou super feliz e e empolgado. Ansioso para começar de vez e ajudar o Santander ser o melhor banco do Brasil. Meta que é verdadeira e tenho certeza que conseguiremos juntos.

Para finalizar, uma histórinha entre mim e o banco.
A primeira vez que eu ouvi falar desse banco foi em 2000, portanto há 10 anos e eu tinha apenas 12 anos de idade. Foi quando ele comprou o Banespa, banco estatal do Estado de São Paulo. Lembro que tinha odiado, porque um banco "nosso" acabara de ser comprado por um banco espanhol. Lembro também que saiu uma tirinha na capa de um jornal do famoso prédio do Banespa no centro de São Paulo, onde tem uma bandeira paulista tremulante e abaixo escrito Banespa, nessa tirinha o mesmo prédio tinha uma bandeira espanhola e abaixo estava escrito BanESPANHA.
Depois superei isso, até mesmo abri uma conta no Santander e hoje tenho imenso orgulho de trabalhar no Grupo Santander Brasil.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

a não obrigação de atos heróicos

 Incrível a capacidade das pessoas em julgar e crerem no poder de autonomia para isso em relação a figuras públicas que assim são não porque procuraram ser, mas acabaram sendo.



O caso que venho vos contar é do ser mitificado ainda vivo, o Tiger Woods. Dizem as boas e más línguas, que ele é o maior golfista de todos os tempos. Não posso emitir opinião porque não conheço nada do esporte, porém conheço muito do Tiger.


Como o Pelé, ele faz propaganda de tudo e com um cachê de fazer inveja a qualquer Tio Patinhas. Conheço-o por meio dessas propagandas e das muitas fotos que vi em jornais. Muitos enxergam esportistas campeões como heróis. Minha visão de herói é aquela de uma pessoa que salva uma nação, um grupo de pessoas ou então que até mesmo uma única vida do perigo. Um bombeiro é um herói, um golfista não.


Talvez por falta de heróis, já que a maioria deles são apenas seres imaginários ou de histórias de ficção, as pessoas colocam essa necessidade de venerar alguém como semi- Deus em pessoas públicas, como esportistas ou músicos. Coitado dessas pessoas que foram colocadas no pedestal sem antes ter sido consultadas. Creio que golfistas, usando o exemplo deste texto, o Tiger Woods, não escolheram o ofício por quererem tornar-se heróis, mas sim porque gostam do esporte e têm talento para isso.


E nessa confusão de heróis místicos dos livros com heróis empossados da vida real, as pessoas não conseguiram assimilar que os heróis da vida real não são seres perfeitos ou que estão o mais próximo possível dessa perfeição. Talvez sejam extremamente bons em alguma coisa, como o Tiger é nas tacadas e na mira miraculosa. Mas não em tudo.


Quando o herói mostra-se imperfeito todos seus fãs, súditos, fanáticos, dependentes e afins, pegam suas pedras para apedrejar o herói que antes era o maioral. Mas desta vez não há Jesus Cristo para lembrar que ninguém é perfeito. É o herói contra a massa moralista e cega. E esse ato de apedrejamento nada mais é que um paliativo próprio, como se as pessoas se enobrecessem a cada discórdia dos atos errados do herói.


Tiger não deve nada para ninguém, ele sendo uma figura pública em que muitas pessoas depositam sua insignificância nas costas dele ou sendo o nosso vizinho que nós pouco sabemos a respeito.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Gringo no samba

O Carnaval em São Paulo muitas vezes se resume em desfiles de escolas de samba e apesar do que alguns cariocas pregam, a capital paulista não é o túmulo do samba. Prova disso é a existência de renomadas escolas de samba, entre elas podemos citar a Nenê de Vila Matilde, que na verdade está instalada no bairro da Penha, a Rosas de Ouro e a Vai-Vai.
Certa vez fui conhecer um ensaio a convite da Lygionilda, garota com olhos de gato que trabalha no aeroporto e fala igual a um travesti, apesar de ter órgãos genitais femininos. O ensaio era na quadra da Vai-Vai, no Bexiga, como eles costumam dizer e não Bela Vista, como os moradores costumam dizer. De cara notei que o ensaio não acontecia na quadra, mas sim na rua e ela, obviamente, interditada.
Decidi brincar com minha aparência, por ser loiro e muitos dizerem que tenho aparência de estrangeiro, eu fingi ser holandês. Escolhi essa nacionalidade porque sei que o brasileiro típico mal sabe onde fica a Holanda, portanto, não conseguiria pegar minha pegadinha por conta de algum deslize meu acerca da cultura. Também decidi ser holandês por um dia porque eles falam prioritariamente o holandês, sua língua mãe, e outros idiomas, como o inglês, eles aprendem no dia-a-dia, de modo mais informal, portanto, caso eu escorregasse no inglês, ninguém poderia apontar o dedo na minha cara e dizer que sou uma farsa.
Fui lá, fazer o gringo que mora dentro de mim sambar. Eu, assim como qualquer estrangeiro animadinho, tenho total convicção que sambo bem pra dedéu, apesar de não sambar nada e geralmente tropeçar nos passos. Minha maior fonte de inspiração é o mestre-sala, que rodopia e pula feito uma perereca reumática.  Às vezes também me desce, como uma pomba-gira, minha maior referência “sambística”, a Globeleza, e danço loucamente.
Comecei meu show particular, não que essa fosse minha intenção, e não demorou muito para as pessoas apontarem, rirem discretamente, pouco depois nem tão discretamente e não muito depois, a tirarem foto, filmarem e me imitarem – sarcasticamente -. Virei atração no ensaio da Vai-Vai, competindo a atenção com as mulatas de minissaia.
Os outros gringos, os de verdade, eram bem mais discretos, no máximo dois passinhos para lá e dois para cá, com os dedos indicadores apontados para o céu e os braços em ângulo de 90º graus. Fiz várias amizades breves, treinei o inglês do povo, não que o meu era bom a esse ponto, aprendi a falar palavras em português com o sotaque mais cômico que eu conseguia imitar e a noite transcorreu na maior alegria.
Descobri em mim um dom, sou o maior pé de valsa, quer dizer, maior pé de samba de toda a Holanda. Rotterdam ficou pequena demais e no ano seguinte, este de 2010, voltei para a quadra da Vai-Vai, ouvir a bateria estremecer meu corpo com aquela batida fenomenal e sambei novamente, agora embaixo da chuva e agradeci a Iemanjá (???) pela noite molhada de samba.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Leandro Vitor, profissional de marketing

Desde muito cedo eu queria ser jornalista. Não sei ao certo o que queria com o Jornalismo, se era trabalhar na televisão (velho sonho meu), se era informar a população ou então posar como intelectual.
Fui alimentando esse sonho e fazendo dele meu objetivo maior na vida. Quem me conheceu entre meus 12 anos até meus 20 e 21 e pouco, certamente sabia dessa minha vontade, eu a estampava na cara e todos diziam que eu faria uma grande carreira. Só que a vivência e o amadurecimento foi aparecendo, eu percebi que não levava tanto jeito para a coisa. Com o passar dos meses, eu estudando Jornalismo na faculdade, sentia-me mais pressionado e incompatível com a carreira de jornalismo. Daí bateu o desespero, se eu não for jornalista, o que serei?

Eis que no primeiro semestre de 2009 tive uma matéria na faculdade chamada Marketing em Comunicação, com o professor Cadu e de repente, o mundo descortinou perante mim. Eu me encontrei totalmente e comecei a ter um imenso prazer em estudar Marketing. Em um ano estudando eu tenho mais livros da área do que livros de jornalismo que estudo há três anos e meio.
O Marketing para mim é tão lógico e ao mesmo tempo interessante e desafiador, que não me vejo trabalhando em outra profissão. Fico bastante feliz que aos 22 anos de idade eu já sei muito bem o que quero e agora não ouço mais os outros dizendo que terei uma grande carreira, afinal de contas a maioria ainda me vê como um jornalista, agora eu tenho certeza que terei uma grande carreira em Marketing. E estou construindo pouco a pouco desde o ano passado quando entrei na Amberg Filmes.

Este post não é nenhuma autoafirmação, pois como explicitei, sei bem o quero e faço por onde, este post é apenas um comunicado aos que ainda me veem como jornalista.
E quem quiser ler meu blog de marketing, fica aqui o convite para conhecerem meu Marketing de Atendimento onde eu avalio o atendimento das empresas, faço críticas e sugestões e etc.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Veja, o descompromisso com o Jornalismo

Abaixo está o e-mail que acabo de enviar para o veja@abril.com.br
Nele mostro o motivo pelo qual não vou mais renovar minha assinatura da Revista Veja.


Aqui em casa somos assinantes da revista Veja. Eu por ser estudante de Jornalismo acho mais do que necessário ser assinante da principal revista informativa do país e claro, de um jornal de qualidade.
Todavia, ando muito insatisfeito com a postura editorial antiética da mais importante revista do Brasil. Há anos que vocês da Veja já escandalizaram em que time jogam e calcam toda a política editorial em cima disso. Falo principalmente em ordem política, contudo há resquícios em todas as áreas da revista, como vocês bem sabem disso.

Eu estava relevando tudo, lendo com um espírito crítico muito maior, com minhas antenas ligadas para não ser contaminado com opiniões nada disfarçadas, mas cheguei ao meu limite ao abrir as últimas edições e encontrar um assombro, excesso de ironias.
Por favor Veja, não confundam Jornalismo com J maiúsculo com caderno de piadas. Se eu quiser ler isso eu compro relíquias do O Pasquim ou então a Bundas. Se sou assinante da Veja quero saber o que está de fato acontecendo no mundo em que vivo.
Hoje a degradação do Jornalismo chama-se Veja.

Em fevereiro vence minha assinatura, não trabalho com a remota hipótese de renová-la. Tenho mais o que fazer, ou melhor, tenho leituras de melhor qualidade para fazer. Infelizmente o retrato do Brasil é péssimo, mas está a altura do seu retratista principal, a Veja.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A questão do transporte público em São Paulo.

São Paulo é conhecida nacionalmente como a cidade dos congestionamentos sem fim. Uma fama bastante justa. Inclusive essa característica ultrapassou aquela da "terra da garoa", "lugar onde se ganha a vida" e entre outras muitas.
A população paulistana está acima dos 11 milhões de moradores e a quantidade de carros ultrapassou os 5 milhões faz tempo. Como foi bastante divulgado nos noticiários, no ano de 2009 as montadoras de automóveis bateram recordes de venda e grande parte desses novos carros vieram para a engasgada malha viária de São Paulo.

Os números não mentem, não há mais lugar para carros na cidade, logo mais teremos que optar por nós ou por eles. A solução para esse problema todos já sabem e inclusive as propagandas pagas e caras dos governantes reverberam em todo canto: "Vamos construir metrô!", "vamos fazer corredor de ônibus" e principalmente, "vamos deixar os carros na garagem e utilizar o transporte público!".
Todavia, os fatos não correspondem ao discurso. Alguém me diz, é possível utilizar o transporte público na cidade de São Paulo e arredores com o mínimo de conforto? Impossível! Chega ser impraticável utilizar o transporte público com o mínimo de dignidade. Pagar uma tarifa super cara para ser espremido entre tantos outros cidadãos é humilhação pública.

Desde o dia 04 de janeiro deste ano a tarifa do ônibus na cidade de São Paulo aumentou de R$2,40 para R$2,70. Uma tática cafajeste do sem caráter Gilberto Kassab, atual prefeito de São Paulo. Digo tática porque esse político do DEM durante a eleição que ele venceu em 2008 prometeu não aumentar a tarifa do ônibus no ano seguinte. Dito e feito, ele não aumentou, porém, no primeiro dia útil do ano seguinte - 2010 - ele aumentou a tarifa acima da inflação acumulada.

A reportagem de Guilherme Balza do site Uol Notícias fez uma conta de quanto o paulistano gasta usando duas tarifas de ônibus diária por mês. O valor fica em R$162,00, o que representa 31,7% do salário mínimo. Caso utilize a integração com o metrô, que fica em R$4,00 reais a tarifa, o valor sobe para R$240,00 ou 47% de um salário mínimo.
Só posso fazer um comentário. É absurdamente revoltante. Qual incentivo que o Governo dá para que os paulistanos deixem seus automóveis na garagem e utilizem o transporte público? Eu que não pensava em comprar um carro tão cedo já estou mudando de ideia e fazendo planos em adquirir em um futuro breve um automóvel. Ainda assim é um pouco mais caro manter um carro, mas prefiro estar dentro de um parado no trânsito a ser machucado dentro de um metrô ou ônibus e pagar caro por isso.

Eu até acharia justo pagar esse valor que é cobrado hoje caso eu viesse sentado ou então em pé sem ninguém encostado em mim. Mas pagar R$2,70 e ser quase esfolado vivo dentro de um coletivo é o cúmulo e deveria ser resolvido na justiça.

Existe no Brasil um movimento social chamado Movimento do Passe Livre (MPL) que luta por um transporte público mais digno, honesto e barato. Eles defendem a migração do transporte público do setor privado para o público. A minha opinião é totalmente igual. O transporte, ainda mais em uma cidade como São Paulo, não pode ser utilizado para o lucro exarcebado de alguns empresários do setor, pois é uma área estratégica e de importância social inestimável. Eu tenho algumas ideias que eu ofereço aos vereadores ou políticos para um transporte mais justo e digno para a cidade.

Deixando o sistema de transportes do modo que está é mais do que necessário que a Prefeitura e o Governo do Estado façam o subsídio da tarifa, deixando-a abaixo de 2 reais. Desse modo preservaria os atuais alicerces do transporte e também os contratos. Se foi privatizado o setor de transporte público, o usuário não pode ficar refém dos valores que os empresários exigem.

Outra saída é seguir a lógica do MPL e incorporar o transporte público sob a direção do Estado e claro, o mesmo não usá-lo como máquina de fazer dinheiro, apenas cobrar para não ter prejuízos. Se, por exemplo, hoje o gasto médio fosse R$1,50, então esse seria o valor cobrado. E como alternativa, o Governo poderia liberar que os atuais empresários do setor explorassem um transporte público alternativo, isto é, linhas de ônibus mais confortáveis e com tarifa liberada. Já existe o tal do ônibus fretado que a prefeitura está combatendo (outra medida cretina do Kassab, pois quem utiliza o fretado é porque não quer usar o transporte público e prefere deixar o carro em casa), mas esse transporte público alternativo seria linhas de ônibus iguais às convencionais, porém com valor diferenciado e claro, maior conforto.
Precisamos ser realistas, uma pessoa com uma condição social favorecida não vai querer dividir um mesmo coletivo com um desfavorecido. Muitos utilizam o carro não porque preferem dirigir, mas por status mesmo. Nossa sociedade desde 1500 está calcada nessa diferenciação hierárquica e não vai mudar tão cedo.

Enquanto ninguém implanta um sistema de transporte público eficiente e digno, vamos cobrando carros e colocando na rua ao mesmo tempo, até a cidade finalmente parar de vez.
E preparem o bolso queridos paulistanos, muito em breve a tarifa do Metrô e CPTM aumentarão e podem ter certeza que ultrapassará o valor do ônibus.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mudanças

Não existe melhor época como esta - final de ano - para falar sobre o tema deste meu post: mudanças.
Posso falar por mim, mudar é sempre muito difícil. Ainda mais um comportamento ou hábito que você cultiva há muito tempo. E nem sempre a força de vontade é suficiente para mudar. Afinal de contas sempre estamos correndo atrás de mundanças em nossas vidas.
Todavia, a mudança que quero tratar aqui é outra. É aquela que mudamos sem perceber, sem esperar e muito menos, sem planejar.

Confesso que sou um cara um tanto quanto pessimista na alteração de perspectivas reais. Até alguns dias atrás não acreditava nessa mudança que estou tratando no texto, até olhar para mim e verificar que mudei muito! Essas mudanças são lentas e graduais, é uma construção inconsciente (não é regra!) e que você só percebe quando relembra seu passado ou faz balanços da própria vida.
Acho que por não conseguirmos observar alguns tipos de mudanças, como a transformação do verde para o maduro, o crescimento na estatura ou quaisquer muitas outras que integra nosso cotidiano, a gente fica com esse pensamento racional dividindo realizações em etapas e não em mudanças gradativas.

Faça um teste e relembre algumas convicções e pensamentos que você tinha há tempos atrás, ainda mais se você é um adolescente, momento de muitas construções e desconstruções, e notará que em muitos casos houve uma mudança de 180°.
Exemplo banal. Desde criança eu odiava música sertaneja, porém cresci ouvindo por influência do meu pai. Conheço de ouvido toda a nata sertaneja e me arrisco a acompanhar sem escorregar muito na letras as principais modas de viola. De um tempo pra cá eu me peguei ouvindo e cantando com esses novos cantores que tocam o chamado sertanejo universitário. Eles, possivelmente, foram os responsáveis por me fazerem começar a gostar desse gênero musical, que particularmente acredito que eu já gostava no meu íntimo, no Id, porém meu Superego bloqueava com todas as forças. Essa é uma das mudanças mais difíceis de serem concretizadas, pois lida com valores próprios e sabemos bem que valores, cultura e hábitos são complicadores de serem alterados.
Hoje em dia canto com o coração Milionário e José Rico, quando há não muito tempo atrás teria verdadeira repulsa.

Infeliz é aquele pau que nasce torto e nunca se indireita.